segunda-feira, 23 de março de 2009

Textos de Teoria Musical

ARTIGO 5
DOMINANDO ACORDES

Se você é um daqueles instrumentistas que se sente inferiorizado por tocar somente através de acordes (ou cifras), adepto inerte daquelas revistinhas “violão e guitarra” e que passa o fim de semana inteiro decorando os 430 acordes desconhecidos daquela música nova do Chico Buarque ou do Caetano Veloso... parabéns!!!! Você está espantado? Eu posso receber e-mails me criticando de todo lado por esta afirmação, mas se você já toca através de acordes, será muito mais fácil você aprender a tocar através de escalas – dentro do nosso propósito de utilizar o mínimo possível a decoreba – DESDE QUE VOCÊ COMPREENDA COMO ELES SÃO FORMADOS. É que, conhecendo a posição dos dedos em cada acorde, sabendo como eles são formados, você conhecerá as notas.


5.1.) Formação de acordes

TODOS os acordes seguem uma norma padrão em sua formação. Isto significa que se você compreender como eles são formados, você pode aposentar todos os seus dicionários de acordes. Além disso, você vai entender como será mais fácil visualizar escalas e identificar todas as notas no braço do instrumento. Antes de continuar, precisaremos de algumas definições teóricas: Já vimos anteriormente que intervalos são a distância entre notas. Vejamos quais os nomes dados a cada tipo de intervalo, quanto à sua distância:

Nome Distância Exemplo

unison 0 1/2 tom C - C

2.ª menor 1 1/2 tom C - Db

2.ª Maior 2 1/2 tom C - D

3.ª menor 3 1/2 tom C - Eb

3.ª Maior 4 1/2 tom C - E

4.ª Perfeita 5 1/2 tom C - F

4.ª Aumentada/5.ª diminuta 6 1/2 tom C - F#

5.ª Perfeita 7 1/2 tom C - G

5.ª Aumentada/6.ª menor 8 1/2 tom C - G#

6.ª Maior/7.ª diminuta 9 1/2 tom C - A

7.ª menor 10 1/2 tom C - Bb

7.ª Maior 11 1/2 tom C - B

oitava 12 1/2 tom C - C


Você ainda se lembra como formar uma escala Maior, não? NÃO???? (desculpe-me... volte alguns artigos atrás, ou você não entenderá mais nada!). A nota que dá o nome à escala é a tônica. Vamos trabalhar novamente com a escala de Dó maior (C) por não conter acidentes. Lembra-se do conceito de grau? Vamos utilizá-lo também. Mais uma coisa: por coincidência, a escala de Dó maior e a escala diatônica de Dó são a mesma (também já vimos isto...).

I II III IV V VI VII VIII

tônica 2.ª 3.ª 4.ª 5.ª 6.ª 7.ª oitava

maior maior perfeita perfeita maior maior

C D E F G A B C



Vamos agora harmonizar a escala acima em terças: pegue uma nota, conte duas acima dela e forme o par. Por exemplo, C – E. Isto é chamado harmonização em terças DIATÔNICAS, onde a terça pode ser maior ou menor (baseada na escala DIATÔNICA). Mas não atropele – vamos com calma. Teremos então:

C – E (M)
D – F
E – G
F – A (M)
G – B (M)
A – C
B – D

Perceba que os pares 1, 4 e 5 são 3.ªs maiores, e os pares 2, 3, 6 e 7 são 3.ªs menores. (conte os intervalos em cada escala e confira na nossa tabela). Juntemos agora a 5.ª sobre os pares encontrados, como C – G. Iremos encontrar:

C – E – G (M)
D – F – A
E – G – B
F – A – C (M)
G – B – D (M)
A – C – E
B – D – F

O que obtivemos são TRÍADES (acordes de 3 notas). as tríades 1, 4 e 5 são acordes maiores: Dó (C) Fá (F) e Sol (G). As tríades 2, 3 e 6 são acordes menores de Ré (Dm) Mi (Em) e Lá (Am). A tríade 7 é um acorde diminuto de Si (Bdim ou Bº).
Pelos resultados de nossa harmonização, descobrimos as seguintes fórmulas:

Acorde maior: Tônica, 3.ª maior, 5.ª perfeita
Acorde menor: Tônica, 3.ª menor (3.ª b), 5.ª perfeita
Acorde diminuto: Tônica, 3.ª menor (3.ª), 5.ª diminuta (5.ª b)

Deixemos a harmonização de lado e voltemos ao nosso tom escolhido: Dó

C.................C – E – G
Cm................C – Eb – G
Cdim..............C – Eb – F#

Às tríades originais, podemos adicionar outras notas. Os acordes com 7.ª são as tríades originais adicionadas da 7.ª OBS: existem 2 famílias de acordes com 7.ª: a 7.ª dominante e a 7.ª maior. A diferença entre elas é que na dominante, usa-se a 7.ª 1/2 tom abaixo, enquanto que na maior usa-se a 7.ª natural – e é claro, o som dos acordes é diferente...
Os acordes com 9.ª são os acordes originais, adicionados da 7.ª e da 9.ª:

C7................C – E – G – Bb
Cmaj7.............C – E – G – B
C9................C – E – G – Bb – D

Os acordes chamados “add” têm a nota citada adicionada ao acorde. Por exemplo, um Cadd9 tem a 9.ª adicionada à tríade maior. Os acordes chamados “sus” têm a 3.ª “suspensa” e substituída pela nota citada em seu nome. Por exemplo, um Csus4 tem a 3.ª substituída pela 4.ª (algumas notações trazem ao invés do “sus” o seguinte: “addX no3” – onde X é o grau da escala e o “no3” quer dizer “excluindo a 3.ª”. Um Csus4 viraria um Cadd11no3)

Csus2(Cadd9no3)...C – D – G
Csus4(Cadd11no3)..C – F – G
C7sus2............C – D – G –Bb
C7sus4............C – F – G – Bb
C9sus4............C – F – G – Bb –D
Cadd9.............C – E – G – D
Csus4add9.........C – F – G – D

Vejam como os conceitos são simples, se você sabe como são formados. Percebeu a quantidade de acordes que já formamos? E os padrões, sendo estabelecidos em intervalos, podem ser transportados para qualquer escala (ou seja, multiplique tudo por 12 e saiba quantos acordes você já aprendeu a criar...)
Vamos detonar os menores, agora, juntando as 7.ª, 9.ª, sus, add. Lembre-se: a tríade menor e maior são iguais, EXCETO pela terça. Usemos então a 3.ª menor. Já construímos o Cm lá em cima: C – Eb – G. O resto é tudo igual:

Cm................C – Eb – G
Cm7...............C – Eb – G – Bb
Cmdom7............C – Eb – G – B
Cm9...............C – Eb – G – Bb – D
Cmadd9............C – Eb – G – D

Ué...cadê os “sus”????? Não acabamos de ver que o que difere o “sabor” dos maiores e menores é a terça? E que os acordes “sus” trocam a terça pelo grau indicado? Então não temos acordes maiores e menores “sus”. Vamos tablaturar tudo, OK?

.....C..Cm..Cdim..C7..Cmaj7..C9..Csus2...Csus4...C7sus2...C7sus4...C9sus4
e. |-0--3----------3----0----3-----3-------3--------3-------3-------3--|
B. |-1--4----4-----5----0----3-----3-------6--------3-------6-------3--|
G. |-0--5----1-----3----0----3-----5-------5--------3-------3-------3--|
D. |-2--5----4-----5----2----2-----5-------5--------5-------5-------3--|
A. |-3--3----3-----3----3----3-----3-------3--------3-------3-------3--|
E. |-------------------------------------------------------------------|

......Cadd9....Csus4add9....Cm7...Cm(maj7)....Cm9....Cmadd9
e. |---0----------0---------3--------3---------3-------3-----|
B. |---3----------3---------4--------4---------3-------3-----|
G. |---0----------0---------3--------4---------3-------0-----|
D. |---2----------3---------5--------5---------1-------1-----|
A. |---3----------3---------3--------3---------3-------3-----|
E. |---------------------------------------------------------|


Observemos, ainda, um detalhe: as nomenclaturas acima são as mais encontradas na NET; porém, se você verificar em publicações brasileiras, poderá encontrá-las de outra maneira. Vejamos:

Cdim = Cº
Cmaj7 = C7+
Csus2 = C2
Csus4 = C4
C7sus2 = C7/2
C7sus4 = C7/4
Cadd9 = C2 ou C/9

Não se preocupe em memorizar tudo... o importante é compreender a lógica existente na formação dos acordes – nada apareceu sem razão. Mais adiante veremos como memorizar facilmente todos estes conceitos, e consequentemente todas as notas no braço, e por fim, as escalas. O ponto principal neste artigo é que você se familiarize com conceitos como intervalo, grau, tônica, maior e menor, etc. – isto será muito importante daqui para a frente.

Baseado em:
Scott Fritzinger – scott@scs.unr.edu
Mike Livengood – lvengood@gene.com
The On Line Guitar College – http://www.eskimo.com/~ogre/library.html
Publicado no site “A Casa das Cifras” (http://www.casa.cifras.nom.br), em 05/10/1.999.

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