terça-feira, 24 de março de 2009

Textos de Teoria Musical

Aí, gente! Voltei – vim dar um Feliz Natal, um ótimo 2000 e deixar embaixo das suas árvores de Natal um presentaço: Um esquema técnico de obtenção de força, precisão e velocidade, para ser debulhado durante as Festas, férias – e durante A VIDA TODA – afinal, praticar é primordial para um instrumentista. Embora o exercício consista em movimentos de ME/MD muito comuns, a maneira como foi organizada a coisa toda é que é o verdadeiro barato – parabéns ao autor, Tim Fullerton (info ao fim do artigo). Adaptei algumas coisas para simplificar, OK?
MAS ATENÇÃO: só comece a praticar esta técnica DEPOIS de estar totalmente certo deter dominado os conceitos vistos nos artigos de Postura e Posicionamento – de outra forma, além de estar praticando algo errado você poderá estar prejudicando SUA SAÚDE – tendinites, dores musculares e má postura de coluna podem ser os seus resultados...
Tudo Certo? Vamos por a mão na massa – ou na guita...


ARTIGO 11
TÉCNICA INFERNAL (by Tim Fullerton)

Verifique os aspectos básicos de Postura e Posicionamento:

A) Posição do instrumento;
B) 1. Posicionamento do polegar esquerdo e abrangência dos dedos da Mão Esquerda (lembre-se: polegar abaixo da linha da corda G);
2. Pressão do polegar Mão Esquerda contra o braço (NUNCA! leveza!);
C) Pulso esquerdo (reto como régua, palma longe da parte inferior do braço...);
D) Palma da Mão Esquerda paralela à parte inferior do braço;
E) Posicionamento das pontas dos dedos Mão Esquerda (próximos à escala);
F) Posicionamento geral da Mão Direita;
G) Posição da palheta (ângulo correto – menor barulho possível)
H) NUNCA APOIE a Mão Direita;
I) Procure utilizar o menor esforço possível para palhetar (encurte a distância);
J) Relaxamento – NUNCA fique tenso.

i.) Você deverá estar com uma planilha “Technique from Hell” em suas mãos e um METRÔNOMO (sem este aparelho, você poderá simplesmente treinar os movimentos, mas não conseguirá constatar com certeza como está sua evolução);
ii.) Os números à esquerda correspondem à ordem dos dedos da Mão Esquerda;

iii.) Os títulos de cada coluna correspondem ao tipo de “movimento” dos dedos da Mão Esquerda (existe um desenho desses padrões logo abaixo);

iv.) A técnica consiste no seguinte: faça cada seqüência tipo “1234” de exercício 5 vezes seguidas, acompanhado de um metrônomo. Ao conseguir fazê-lo, SEM NENHUM ERRO, verifique qual o andamento. Diminua este número em 10% e anote na planilha. Faça isso para todas as combinações – recomendo que utilize uma coluna de cada vez – iniciando pela S (SINGLE STRING), e avançando para a direita, onde os movimentos são mais complicados.

v.) Faça as anotações à lápis, e mantenha sempre uma nova cópia da planilha em papel ou salva em disquete para as futuras anotações.

vi.) Porque diminuir 10%? Ora, o número que você obteve é a sua velocidade máxima para aquele tipo de digitação. O número anotado é o seu OBJETIVO – quando você conseguir repetir aquela mesma digitação 5 VEZES SEGUIDAS, SEM NENHUM ERRO, NAQUELA VELOCIDADE ANOTADA, parabéns! Diminua 10%, anote o novo score e comece a treinar mais para bater seu prórpio recorde!

vii.) Estes são os 5 padrões (um em cada coluna – confira em sua planilha) – eles vão aumentando a dificuldade, da esquerda para a direita. Logo, inicie pelo S e vá movendo para a direita à medida que sua técnica for aprimorando.
viii.) Tim Fullerton descreve em seu artigo que o guitarrista deve utilizar várias planilhas, uma para cada estilo de palhetada. Seriam elas: (onde b = para baixo; c = para cima)

b, c, b, c
c, b, c, b
b, b, b, b
c, c, c, c

Embora eu entenda que o correto é isto mesmo, a coisa ficaria muito além do “Inferno”, como ele nomeia a técnica... Adotei uma simplificação que agrada a muitos que utilizam a planilha: o alternate picking (b, c, b, c) e o sweep (b, b, b, b) – que são as mais utilizadas. De vez em quando, faça um pouco das outras possibilidades, a título de treinamento, mas sem tanta responsabilidade – afinal, não pecamos tanto assim...

ix.) Procure praticar em locais distintos da escala. Não fique somente nas mesmas cordas, nas mesmas casas... embora seja muito mais fácil digitar da 12.ª casa pra cima e nas cordas de baixo, é obrigatório praticar em todos os lugares – ou você vai fazer um buraco na escala...

x.) Você deve praticar 6 dias por semana, passando por todas as digitações numéricas (tipo 1234) em pelo menos uma coluna de padrões (S, A, D, P, V). Tente dedicar pelo menos 1 hora diária a esta metodologia.

xi.) Só isso... em pouco tempo você vai notar (e ter provas documentais!!!) da sua evolução em velocidade, força nos dedos e técnica. MAS LEMBRE-SE: NÃO VALE ROUBAR!!!!! Se você não conseguir atingir a marca de 5 exercícios completos sem errar, TENTE NOVAMENTE – anotar um tempo falso, que você não conseguiu atingir, não vai lhe adiantar em nada. Afinal, não é uma corrida, é uma metodologia de auto-superação.

xii.) MUITA ATENÇÃO: como você vai desenvolver velocidade e força (o que não quer dizer que você vá apertar as cordas feito um louco...) em pouco tempo, sempre que for praticar AQUEÇA. É Isso mesmo – como se fosse entrar em campo! O melhor jeito é fazer uma série de 5 minutos de cromáticos BEM DEVAGAR – pelo menos até inventarem outra técnica. Depois, pode debulhar a bichinha.
OBSERVAÇÃO: ligue-se na seqüência da frase. Fazer 5 vezes uma digitação 1234 significa digitar: 12341234123412341234 – e não 1234......1234........1234...... Deu pra entender?


11.1) O Metrônomo

Para quem não sabe, o metrônomo, como o nome diz, é um aparelho destinado a marcar o tempo musical. Existem vários tipos e modelos – não tem um? O melhor para este tipo de exercício é o movido a pilha/bateria, com dial frontal. O tempo mantido é infalível, o dial tem incrementos de tempo standard e você pode mudar de velocidade instantaneamente – tudo isto é bem vindo nesta técnica.
Outros tipos são os pequenos digitais, os tipo plug-in mecânicos e os “vovôs” de pêndulo invertido.
Os pequenos digitais são ótimos para todos os propósitos – são mais baratos o mantém o tempo infalível. Talvez sejam um pouco impróprios para este tipo de exercício pois para incrementar a velocidade você tem que ficar segurando os pequenos botõezinhos até chegar ao valor desejado – e os incrementos não são standard, e sim, em unidades. Numa hora de estudo, com tantas digitações e um tempo pra cada uma, você vai perder 1/2 hora só com o metrônomo...
Os outros são – desculpem – uma droga.... Os mecânicos tipo plug-in variam a velocidade de acordo com a corrente elétrica do local, acusando maior velocidade do que o real quando houver quedas na corrente (você vai se sentir Joe Satch quando os vizinhos ligarem chuveiro, ar-condicionado e secadora de roupas...). E os velhinhos com pêndulo não marcam o tempo com exatidão.


11.2.) Incrementos “Standard” em Metrônomos


40 – 60: acréscimos de 2
40, 42, 44, 46, 48, 50, 52, 54, 56, 58, 60


60 – 72: acréscimos de 3
60, 63, 66, 69, 72


72 – 120: acréscimos de 4
72, 76, 80, 84, 88, 92, 96, 100, 104, 108, 112, 116, 120


120 – 144: acréscimos de 6
120, 126, 132, 138, 144


144 – 208: acréscimos de 8
144, 152, 160, 168, 176, 184, 192, 200, 208


Agora é só pegar sua planilha, pegar a guitarra e PRATICAR, PRATICAR, PRATICAR......... Com certeza, em nosso próximo artigo (só em Janeiro/2000...) você já vai estar “FERA”!



Baseado em:
Tim Fullerton – fullerto@cis.ohio-state.edu
Publicado no site “A Casa das Cifras” (http://www.casa.cifras.nom.br), em 20/12/1.999.

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