sábado, 28 de março de 2009

Textos de Teoria Musical

ARTIGO 12
TOM, CAMPO HARMÔNICO E PROGRESSÕES

Muitos anos atrás, cismei em aprender teclado popular – para quem nunca tocou e conhece violão/guitarra, funciona + ou – assim: a Mão Esquerda faz o trabalho de “base”, enquanto a Mão Direita leva a “voz” ou “lead”. Com alguma prática auditiva musical, logo eu estava facilmente “solando” com a Mão Direita, mas a falta de conhecimento teórico (que era o meu problema na época) me impedia de saber quais os acordes do acompanhamento. Quando eu perguntei ao meu professor: “Como colocar os acordes sobre a melodia?” ele me disse que eu viesse à todas as aulas, e, TALVEZ, na última aula do 4.º ano ele me ensinaria este “pulo do gato”! É claro que eu nunca mais apareci....
Ele sabia que se eu conseguisse transcrever a “voz” para a Mão Direita e soubesse encaixar os acordes, eu não voltaria mais às aulas – que fique bem claro: por se tratar de um curso do tipo “Popular” – o professor não busca aprimorar a teoria musical, e sim, fazer com que o aluno toque música, da maneira mais simples possível, no menor tempo decorrido. É o intento das cifras – elas são simples e eficientes, por isso invadiram o mundo musical universalmente com tanta força. Você acaba aprimorando técnicas – arpejos, dedilhados, pestanas, agilidade nas mãos, etc.... mas o conhecimento teórico fica completamente estagnado!!!
E você – se você quizer “tirar” (transcrever) uma música que ouviu, seja por cifras, seja por TAB?
Vamos ver e rever neste artigo vários conceitos, que serão complementados e acrescidos nos próximos. Este talvez tenha sido o mais complicado para mim escrever, por se tratar de um assunto muito pedido, e infelizmente, muito pouco abordado através da WEB – tentei ser o mais claro possível, mas o próprio contexto é complexo. Meu e-mail está aberto às dúvidas, que responderei na medida do possível, OK?
Recebo infinitos e-mail perguntando como tirar músicas, como achar o Tom delas, o que é o Tom e como reconhecer o Tom tocando ou lendo partituras/cifras/TAB.
Quando falamos em TOM, temos que entender o seguinte: existe uma nota, a TÔNICA, que “rege” tudo o que fazemos durante aquela música. Os solos, o clima, os acordes, tudo gira em torno do TOM dado por esta nota tônica. Por isso é tão importante saber qual o Tom – daí podemos começar com mais facilidade o trabalho de compor ou tirar uma música.
Voltemos um pouco na História: quando os mestres da música sentaram-se num boteco para tomar umas e formular padrões a serem seguidos, tiveram que definir certas regras, ou tudo viraria uma bagunça. A música “escrita” era como uma ciência: para que fosse difundida através de um pedaço de papel (afinal, não existiam na época aparelhos que gravassem e reproduzissem a música, logo, para ouví-la, você teria de tocá-la através de um pedaço de papel...). Daí nasceu a Teoria Musical.
Obviamente, não estaremos utilizando sempre C (dó maior) em todas as músicas; logo, teremos que enfrentar alguns acidentes (sustenidos – # e bemóis – b)  lembram-se que somente a escala de C (dó maior) é isenta de acidentes?
Portanto, quando estamos escrevendo música em um pentagrama (ou pauta), temos que seguir uma regra pré-estabelecida pelos nossos amigos do boteco lá de cima, que definiram uma ordem para que estes sinais fossem inseridos: eles ficam ao lado da clave (que é o símbolo que define uma nota chave na pauta – sol, fá, dó...), numa seqüência estratégica. A regra é a seguinte:
Os sustenidos são : F – C – G – D – A – E – B (os gringos decoram assim: Fat Charlie Gets Drunk After Every Beer – “Charlie gordo fica bêbado depois de qualquer cerveja”...)
Os bemóis são: B – E – A – D – G – C – F (exatamente o contrário da sequência de sustenidos)
Decorando isto, você pode montar uma tabela que define o número de acidentes representados em cada escala. Comece pelo C, que é 0 (zero) nos dois casos, já que não tem acidentes. Olhe como fica:

sustenidos:
0 - 1 - 2 - 3 – 4 - 5 - 6 -- 7
C - G - D - A - E - B - F# - C#

bemóis:
0 - 1 - 2 --- 3 - 4 -- 5 -- 6 -- 7
C - F - Bb - Eb - Ab - Db - Gb - Cb

Analisando isto, teremos, por exemplo, usando a escala de A, 3 sustenidos. (confira na tabela de sustenidos). Não acredita? Verifiquemos na escala:

A – B – C# – D – E – F# – G# – A

Viu? Estão os 3 aí: C#, F# e G#. (Se você não entendeu como formamos a escala, relembre o artigo!)
Vamos tentar a de E? São 4 sustenidos:

E – F# – G# – A – B – C# – D# – E

Estão todos presentes! São: F#, G#, C#, D#. Sei que tem gente perguntando como é que eu sabia onde colocar as escalas de F# e C# e onde colocar as escalas naturais de F e C. Aliás, deve ter gente perguntando porque algumas escalas são naturais, outras sustenidas e outras bemóis. Vou explicar tudo com um exemplo.
Vejamos a escala de fá maior (F):

F – G – A – A# – C – D – E – F

Notaram que teríamos dois lá: A e A#? No pentagrama só existe uma linha (ou espaço) para o A. Então foi estipulado que a escala de F seria representada por bemóis (b) ao lado da clave. Então a escala de F ficou assim:

F – G – A – Bb – C – D – E – F

Confira na regra lá em cima: F = 1 bemol (que é o Bb). Quem ficou representada pelos sustenidos foi a escala de F#:

F# – G# – A# – B – C# – D# – F – F#

Êpa!!! Mas também ficou com 2 Fá: F e F#!!!! E agora? Agora vem a “manha”: o F é representado no pentagrama pelo E#! A escala ficaria assim:

F# – G# – A# – B – C# – D# – E# – F#

Vamos conferir: escala de F# = 6 sustenidos!!! (os caras eram bons, hein?) O mesmo ocorre com a de C#:

C# – D# – F – F# – G# – A# – B# – C#

(E#) e (B#): Embora não se escreva E# e B#, como notação em pentagrama é utilizado, justamente para evitar um monte de sinais no meio da pauta e para facilitar o músico na identificação da escala escolhida para compor a peça.
Na prática, é só contar os símbolos na pauta para saber qual a escala utilizada. Exemplos: pentagrama com 3 # ao lado da clave: escala de A pentagrama com 2 b ao lado da clave: escala de Bb.
Mesmo sendo muito simples, é determinada a ESCALA utilizada, e não TOM. Para determinar o Tom, teríamos que analisar as notas da maneira como são utilizadas, com que acordes, se menor ou maior, além de outros conceitos que analisaremos no futuro (como MODOS, por exemplo).
Se você está me xingando neste momento, já que tudo o que vimos em nossos artigos NUNCA foi baseado em pentagramas, acalme-se... Gosto do estilo Mister “M”: mostrar de onde vieram as coisas... Além disso, alguns artigos atrás eu fiz uma piadinha acerca de sustenidos e bemóis, dizendo que a invenção de 2 nomes para a mesma coisa era pura sacanagem – mas tudo tem uma explicação bem lógica: seria impossível representar músicas em pentagramas sem a utilização dos 2, OK?
Esquecendo as pautas, com TAB's e cifras a coisa muda um pouco. Vamos lembrar que sabendo qual o Tom será infinitamente mais fácil determinar os acordes, além da tônica dos solos e improvisos.
Sabendo que os acordes derivam das escalas (já vimos isto antes), é fácil perceber que as notas da escala utilizada DEVEM estar contidos nos acordes. Logo, qualquer acorde formado pelas notas da escala soará incrivelmente agradável quando esta for utilizada.
Normalmente os acordes são formados através da harmonização em terças diatônicas. Vamos relembrar este tipo de harmonização (que fizemos em Dominando Acordes). A escala de C (dó maior) é C – D – E – F – G – A – B.
Começando por C, conte 2 notas para a direita. teremos E. Mais 2 para a direita. Teremos G. Reconhecem a nossa tríade (acorde de 3 notas)? É o C – E – G, ou dó maior (C). Não é por mera coincidência que ele é perfeitamente compatível com a escala de C...
Se fizermos isto com todas as notas da escala, teremos 7 tríades:

C – E – G = C (dó maior)
D – F – A = Dm (ré menor)
E – G – B = Em (mi menor)
F – A – C = F (fá maior)
G – B – D = G (sol maior)
A – C – E = Am (lá menor)
B – D – F = Bº (si diminuto)

Esta seria a “família” de acordes de 3 notas (ou tríades) compatíveis com a escala de C, ou seja, estes acordes pertencem a um “CAMPO HARMÔNICO” no TOM de C (dó maior). Quando utilizada uma escala de C, ou composta uma melodia neste TOM, utilizando combinações destes acordes pertencentes ao Campo Harmônico, o resultado será com certeza agradável aos ouvidos.
Pode-se ainda harmonizar desta mesma forma, utilizando as mesmas notas da escala, acordes com 4 notas, gerando acordes mais ricos e sofisticados; indo mais longe, podemos chegar aos acordes de 5 e 6 notas, que embora não tão usuais, são de grande valia para composições ecléticas e originais.
Abaixo temos uma tabela com as 3 famílias de acordes (3, 4, 5 notas) derivadas da escala de C maior, determinando um vasto campo harmônico (do lado direito, as notas que formam cada acorde).
Gostaram? Só com estas 3 “famílias” já temos 21 acordes que se encaixam perfeitamente no Tom da escala original, que é C (dó maior).
Antes de prosseguir, vamos recapitular tudo:
1.) O TOM representa a ESCALA utilizada na composição;
2.) Os ACORDES derivam da ESCALA escolhida;
3.) Os ACORDES são formados pela HARMONIZAÇÃO da ESCALA (no nosso exemplo, em TERÇAS DIATÔNICAS);
4.) Os ACORDES RESULTANTES formam o CAMPO HARMÔNICO do TOM escolhido.
Tudo entendido, vamos prosseguir. Tá bom, mas o que vamos fazer com este monte de acordes? Teremos que compreender um novo conceito: PROGRESSÃO HARMÔNICA. Progressão Harmônica é uma sequência de acordes harmonizados, ou seja, um trecho de qualquer música é uma progressão harmônica.
A música “Ainda é Cedo”, do Legião Urbana, regravada por Marina Lima, é baseada inteirinha em uma só progressão de 3 acordes: Am – Dm – C. Toque esta progressão e você notará que os acordes Dm – C criam uma “tensão” que é “relaxada” quando chegamos ao acorde de Am. Este “clima” é a arma que os músicos tem para quebrar a monotonia da música – as progressões tem características próprias, dependendo de como o compositor as utiliza. Vamos analisar os acordes do nosso campo harmônico de C (dó maior) e construir algumas progressões (você certamente reconhecerá algumas – de músicas muito familiares...)

[1] C – F – G7 – C
[2] C – F – C – G7 – F – C
[3] C – Am – F – G7 – C
[4] C – Am – Em – Am – Dm – G – C
[5] Dm – G7 – Cmaj7 – Fmaj7 – Bm7b5 – G7 – C

Tente tocar as progressões acima – tudo se encaixa perfeitamente? Não é sorte ou coincidência... Levando em consideração que uma música ou trecho musical normalmente começa ou termina no tom dominante, se você for compor é só escolher o tom e sair encaixando os acordes, tirados de dentro do Campo Harmônico, e formar uma Progressão Harmônica. Para “tirar” uma música, verifique a nota inicial/final da maior parte dos trechos (primeiros versos, versos finais ou refrão) e na maioria das vezes (99%) todos os acordes pertencerão àquele campo harmônico – geralmente usando as mesmas progressões que estudamos.
É claro que para isto você deverá analisar o Campo Harmônico no tom da música, ou seja, em todas as escalas – e para isto, você deverá montar os Campos Harmônicos para todas elas. Comece montando para as 7 maiores – lembre-se que você poderá usar os acordes para o Tom Menor relativo (lembram-se que a relativa de C é Am? Se as notas das 2 escalas são as mesmas, os acordes serão os mesmos para os dois campos Harmônicos – só muda a ordem dos acordes nas progressões!)
Voltemos às progressões – analisando as 5 acima, notaremos:
[1] e [2] usam somente 3 acordes: C – F – G7. De fato, é incrível como existem tantas músicas, tradicionais e contemporâneas, que utilizam este tipo de progressão (seja em C ou em qualquer outro tom). Esta progressão é chamada I – IV – V, porque usa estes graus da escala.
[3] e [4] tem um “sabor” mais “down” por usarem acordes menores – Am, Dm e Em. Estas duas progressões aparecem frequentemente em várias músicas, e principalmente a [3] é muito utilizada no rock desde os anos 60 até os dias atuais. É conhecida como “turnaround” (ou retorno) porque soa como uma tensão indo e vindo.
A [5] é a mais rica harmonicamente, criando um som interessante pelo uso de acordes com 4 notas. O som sofisticado obtido é uma das vantagens destas progressões, muito utilizada em jazz. Note que embora a frase não comece pela tônica (C), ela aparece para “fechar” a progressão em seu final.
Outro exemplo de progressão simples muitíssimo usada é a I – III – V (note que são os acordes correspondentes às notas formadoras da tríade maior de C = C – E – G). Milhares de músicas utilizam esta progressão (e suas correspondentes em outros tons).
As progressões dentro de um Campo Harmônico são a base para transcrever/compor músicas, devido às suas propriedades derivadas das seqüências de acordes. Devemos ter em mente, entretanto, que a música é uma arte, e não existem regras fixas para fazer arte – existem padrões teóricos, que podem, e devem ser quebrados. Assim como tocar notas fora de uma escala numa melodia, é permitido utilizar acordes fora do campo harmônico numa composição, desde que seus ouvidos julguem a progressão agradável.
Vários músicos inovadores e excelentes freqüentemente fogem dos padrões da teoria musical, e acrescentam muito a este contexto, com resultados incrivelmente satisfatórios. Se você quiser partir para um novo campo, tudo bem, mas primeiro saiba onde está pisando, e só depois escolha caminhos alternativos.
Vamos aumentar nossos conhecimentos?
Vimos o campo harmônico e as progressões para o acorde de C (dó maior), que pode ser aplicado a todas as escalas maiores e suas menores relativas (no caso de C, Am). Outros campos harmônicos podem ser obtidos da mesma forma sobre outras escalas. Veremos abaixo as Escalas menores de C: Cm, Cm Melódico e Cm Harmônico.
Lembra-se como construir uma escala Menor? Tom – semitom – tom – tom – semitom – tom – tom.
No nosso caso, Cm, seria: C – D – Eb – F – G – Ab – Bb – C
Vejamos o Campo Harmônico:

Algumas progressões muito interessantes podem ser construídas:

[1] Cm – Fm – Bb7 – Cm
[2] Cm – Cm7 – Ab – Gm7 – Cm
[3] Cm – Fm – Gm7 – Cm
[4] Cm – Fm7 – Dm7b5 – Ab – Gm7 – Gm
[5] Cm – Eb – Cm – Gm7 – Fm7 – Dm7b5 – Gm7 – Cm

As Escalas Menores Melódicas são idênticas às Maiores, trocando-se somente o III grau (no caso de C, seria E) pelo IIIb (Eb). Ficaria assim: C – D – Eb – F – G – A – B – C.
Veja o Campo Harmônico pronto: (harmonizado em 3.ªs Diatônicas)

Esta escala tem progressões menos comuns (na verdade, ela é mais utilizada para solos). Mas podemos formar algumas:

[1] Cm – F – G – Cm
[2] Cm – Cm(maj7) – Dm7 – G7 – Cm

As Escalas Menores Harmônicas são idênticas às Menores Melódicas, trocando-se somente o VI grau (no caso de C, seria A) pelo VIb (Ab). Ficaria assim: C – D – Eb – F – G – Ab – B – C.
Veja o Campo Harmônico pronto: (harmonizado em 3.ªs Diatônicas)

Podemos montar várias progressões sobre o Campo Harmônico de Cm Harmônico – e elas são muito úteis (e muito conhecidas!):

[1] Cm – Fm – G – Cm
[2] Cm – G – Fm – G – Fm – G – Cm
[3] Cm – Fm7 – Bdim – Cm – G – Fm – Cm
[4] Cm – Ab – G7 – Cm – Dm7b5 – G7b9 – Cm

Acredito que deu pra ter uma idéia bem estruturada dos conceitos – mas lembre-se: tudo o que vimos é como um mapa rodoviário – que leva você de cidade em cidade; para andar DENTRO das cidades, que seriam as músicas, você vai ter que usar outros artifícios: seu ouvido, muita prática e a capacidade humana de inovar!


12.1) Guia de construção do Campo Harmônico passo-a-passo

Para você que é iniciante, ou achou a coisa muito complicada, ou é preguiçoso mesmo (!?!?), aí vai um guia bem explicadinho desde a escolha da escala até nomear os acordes encontrados. Se depois disso você não entender, volte ao artigo 1.) e comece tudo de novo!!!!!!!
Este procedimento deverá ser feito para as 12 ESCALAS (é isso mesmo – mão na massa!) A, Bb, B, C, C#, D, Eb, E, F, F#, G, G#.

1.º passo) Copie e imprima (de preferência aumente um pouco a fonte) esta tabelinha de campo harmônico abaixo:

2.º passo) escolha o TOM do campo harmônico e preencha o título: vou escolher a de C (dó maior) para poder explicar como montei a do artigo (assim você poderá acompanhar meu raciocínio olhando na tabela já pronta);

3.º passo) construa a ESCALA correspondente ao TOM: (estaremos trabalhando primeiro com as 12 acima – todas são MAIORES – caso tenha dúvidas em construção de escalas, volte ao artigo e dê uma lida!); a escala MAIOR é formada a partir da Tônica desta forma: tom – tom – semitom – tom – tom – tom – semitom: C – D – E – F – G – A – B – C.

4.º passo) escreva na tabela (coluna de notas), de cima para baixo, as notas da escala;

5.º passo) Vamos começar a harmonizar as notas em acordes de 3, 4 e 5 notas (você Pode ir até 6, se quiser): para achar o primeiro acorde da linha do C, começamos pela tônica (C) contamos 2 à direita (E) e mais 2 à direita (G). Encontramos C – E – G. Vamos até as colunas mais à direita de nossa Tabela, e anotamos o acorde de 3 notas harmonizado a partir de C. Não se preocupe com o nome dele ainda. Para harmonizar o de 4 notas, é o mesmo procedimento, só que adicionamos mais um “pulo”: C – E – G e mais 2 à direita (B). Teremos então o acorde formado por C – E – G – B. E com mais um pulo (D), teremos o de 5 notas: C – E – G – B – D. Fácil, não? Faça isto com cada uma das notas, e vá anotando na Tabela.

6.º passo) identificação e nomeação dos acordes. Talvez essa seja a parte mais chata da coisa toda... Existem tantas técnicas e tantas maneiras (certas e erradas) encontradas em revistas, TABS, na WEB, que às vezes você acaba decorando 3 ou mais nomes para o mesmo acorde...
Vou tentar ser bem claro (e não se assuste com os nomes encontrados; mesmo que você conheça o acorde por outro nome, esta nomenclatura é bem fácil de entender, e não deixa dúvidas sobre quais as notas utilizadas).
Para “batizar” os acordes, precisaremos relembrar uma Tabela de Intervalos, que já vimos em “Dominando Acordes” – para facilitar, vou colocá-la de novo aqui, com uma coluna em branco do lado para você poder utilizar com outras notas.

TABELA DE INTERVALOS:

Vamos começar com C – E – G:

C – é a Tônica, que dá a letra do acorde = C
E – é a terça, que define o acorde como Maior ou menor; no caso, como é maior, não se acrescenta nada ao nome (se fosse menor, adicionaríamos um “m” após a letra da tônica).
G – é a 5.ª perfeita, que define o acorde como o acorde natural de C maior (lembra-se que o acorde Maior é formado de Tônica, 3.ª Maior e 5.ª perfeita?). Então o nosso acorde é simplesmente C (dó maior);

O segundo tem uma nota a mais C – E – G – B:

B – é a 7.ª Maior. Temos que colocar um 7 aí no acorde, mas existem vários acordes com 7.ª.... então aprenderemos uma regra:

3.ª Menor (+) 7.ª menor = X m7
3.ª menor (+) 7.ª Maior = X m(maj7)
3.ª Maior (+) 7.ª menor = X 7
3.ª Maior (+) 7.ª Maior = X maj7 (onde “X” é a Tônica)

Logo, o nosso acorde C – E – G – B, como tem a 3.ª Maior e a 7.ª também, vai se chamar Cmaj7.

O último acorde com tônica C, de 5 notas, é C – E – G – B – D:

D – é a 2.ª Maior, certo? Mas como já demos a volta na escala, esta nota está uma oitava acima; logo, ela é a 9.ª Maior. Teríamos então um acorde Cmaj7maj9 – mas como todos os acordes com 9.ª incluem a 7.ª, não temos necessidade de escrever a 7.ª Fica, então: Cmaj9.

ATENÇÃO:

– Os acordes com 9.a devem basear-se, para nomenclatura, na 9.ª Maior!
– Quando existir 7.a (maior ou menor) e a 9.a for maior, simplesmente substituimos o 7 por 9 no nome.
Ex.: G7 --> G9; Dm7 --> Dm9; Cmaj7 --> Cmaj9 (todas as 9.ªs São Maiores!).
– Quando a 9.a for menor, usa-se “b9” (ou seja, a 9.ª Maior 1 intervalo abaixo), ao final do nome, sem tirar a nomenclatura da 7.ª.
Ex.: Em7 --> Em7b9; G7 --> G7b9.
– O mesmo ocorre quando a 5.ª nota obtida no acorde corresponder à 3.ª menor uma oitava acima: usa-se #9 (ou a 9.ª Maior 1 intervalo acima).
Ex.: Abmaj7 --> Abmaj7#9.

OBS.: O mesmo procedimento é tomado em relação à 5.ª – usa-se #5 e b5 ao final do nome para representar notas 1 intervalo acima ou abaixo da 5.ª perfeita – COM EXCEÇÃO dos acordes onde a 5.ª e a 7.ª são diminutas; neste caso o acorde é acrescido de “dim” ao seu final.
Ex.: Um Bm com a 5.ª diminuta é um Bmb5;
Ex.: Um Bm com a 7.ª menor e a 5a. diminuta é um Bm7b5;
Ex.: Um Bm com a 5.ª e a 7.ª diminutas é um Bdim.

OBS2.: algumas publicações escrevem:
5+ ou 5aug ao invés de #5;
5– ou 5dim ao invés de b5; (o mesmo para as 9.ªs)
Não gosto muito do sistema por confundir (+) com (add) ou (maj), e por confundir (-) com (sus) ou (m). Fica como registro...

Estou escutando risadas de alegria????? É muito fácil!

Pulemos para uma diferente: vamos fazer a harmonização de E.
O primeiro acorde achado é E – G – B.
E – é a tônica, Mi. Nosso nome por enquanto é E.
G – é a 3.ª menor (monte a tabela de intervalos para E e confira!) – Nosso acorde virou Em.
B – é a 5.ª perfeita, formadora dos acordes menores. Nosso acorde é Em.

O segundo acorde acrescenta o D: E – G – B – D.

D – olhe novamente a Tabela de intervalos: B é a 7.ª menor. Se temos também a 3.ª menor, conforme a regra acima o acorde chamar-se-á Em7.

E o último acorde, E – G – B – D – F:
F – na nossa tabela de acordes, corresponde à 9.ª menor. Como vimos acima, chamamos a 9.ª menor de “b9”. E como ela é menor, não tiramos a nomenclatura da 7.ª Logo, teremos Em7b9.
Sua tabela deve estar assim, com as linhas de C e E completas:

Vou fazer mais uma linha: a de B (si)

O primeiro acorde é B – D – F.

B – é a tônica = B
D – 3.ª menor = Bm
F – 5.ª diminuta. Como nomeamos dim somente o acorde com 5.ª e 7.ª diminutas, e não incluímos a 7.ª neste caso, temos que considerar a 5.ª diminuta como a 5.ª Maior 1 intervalo abaixo (vimos isto lá em cima!). Logo, acrescentaremos ao final do nome “b5”. Nosso acorde é Bmb5.

O segundo é B – D – F – A.

A – é a 7.ª menor. Como já temos a 3.ª menor, o acorde é Bm7b5.

O terceiro, B – D – F – A – C.

C – é a 9.ª menor. Seguindo nossa regra das 9.ªs, a 9.ª menor é considerada como 9.ª Maior 1 intervalo abaixo, ou seja, “b9”. Então chamaremos nosso acorde de Bm7b5b9.
Embora os acordes tenham nomes “escabrosos”, na realidade a nomenclatura é simples, se vemos desta forma: sabemos quais as notas e porque elas fazem parte do acorde. Um Bm7b5b9 é, simplesmente, um Si menor com 7.ª (que sabemos fazer de cor) mas com a 5.ª e a 9.ª bemóis. Isto significa que teremos que colocar o dedo da 5.ª e da 9.ª uma casa para trás.
Pô, só isto? Eu sei que alguns dirão que o acorde fica meio complicado de fazer – mas aí eu dou uma dica: se você souber quais os acordes que formam o campo harmônico, e achar difícil fazer um acorde com 5 notas, faça o de 4 notas: ele soará muito bem no contexto da música. É claro que a harmonia vai empobrecer, pela diminuição da quantidade de notas, mas você nunca notou que quando vai ler certos TABs e cifras, em revistas ou na WEB, mesmo que a música fique parecida não sai igual à gravação, ou ainda, diferente do jeito que o músico toca quando você vê o vídeo ou o show? É porque, embora os acordes estejam dentro do campo harmônico, e no tom original da música, eles foram SIMPLIFICADOS para facilitar a execução (ou o cara que tirou era ruim, mesmo...). E se você achar difícil fazer o acorde de 4 notas, transcreva para 3. Agora, se você não conseguir fazer o de 3 notas, VÁ TOCAR CHOCALHO, que só tem UMA nota...

7.º passo (e último...UFA!): Montar progressões harmoniosas ao seu ouvido, e anotá-las para referência. As mais comuns são (os números correspondem aos Graus da escala):

I – III – V
I – IV – V
I – VI – IV – V (turnaround)

Você pode construir várias outras; tente começar com a tônica, “sentir” que forma-se uma tensão e então quebrá-la, voltando ao tom inicial. Use primeiro os acordes de 3 notas, depois substitua alguns por seus correspondentes de 4 ou 5 notas, para enriquecer sua composição. Para tirar uma música, faça o contrário: encontre o tom, e então use os acordes de 3 notas para encaixar na música. Depois, substitua pelos de 4 ou 5 notas até ficar bem parecido com o original.
Ah... tava esquecendo! Uma boa notícia: lembram que as Escalas Menores derivam das Maiores a partir do VI grau? Então como as notas usadas nas duas são as mesmas, nos mesmos intervalos, os acordes também são os mesmos. Isto quer dizer que, se nós fizemos o Campo Harmônico de C (dó maior), os acordes são os mesmos do Campo Harmônico de Am (lá menor). É só montar outra tabelinha, colocar as notas na seqüência correta (a partir da tônica) e copiar os acordes. Ou seja, fazendo as 12 maiores, você já tem as 12 menores quase prontas: é só copiar no lugar certo.
Outra dica: as Escalas menores Harmônica e Melódica só tem poucas notas diferentes. Outra barbada: com o campo harmônico Menor Natural pronto, vai ser “bico” montar os Campos Harmônicos das outras escalas menores. Já são 48 campos harmônicos – dá pra começar a brincar!!!!!
Espero que vocês possam tirar o máximo de proveito deste artigo – garanto a vocês, é o mais completo da WEB sobre o tema (deu o maior trabalho!!!).

Baseado em:
Jimmy Hudson – jimmy@guitarsrule.com
Mike Livengood – lvengood@gene.com
Publicado no site “A Casa das Cifras” (http://www.casa.cifras.nom.br), em 14/01/2.000.

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