terça-feira, 24 de março de 2009

Textos de Teoria Musical

Vou largar a teoria um pouco de lado (afinal temos batalhado de montão pontos básicos da coisa nos últimos dois meses...) para abordar alguns aspectos tecnológicos de instrumentos. Os artigos que vem a seguir são adaptações de Brett Ratner, colunista das revistas “Guitar Player” norte-americana, da “Musician”, “Electronic Musician” e da “Music & Computers”. Os artigos foram publicados na WEB através do site “www.harmonycentral.com”, no início de 1998, e foram aclamados por milhares de web-guitar-players. Atualmente, Brett toca com sua banda, “Katoorah Jayne” em sua cidade, Nashville, EUA. (ratocaster@harmony-central.com)


CAPÍTULO 8
EVITANDO G.A.S. (parte I)

G.A.S. (Gear Acquisition Syndrome) é a sigla norte-americana para uma das “doenças” mais graves que atingem o mundo guitarrístico moderno (mas não exclusivamente...): a “Síndrome da Compra de Equipamento”.
Uma definição simplificada para GAS seria a busca eterna e/ou a compra irracional e obscessiva por equipamentos musicais. GAS não é a mesma coisa que colecionar instrumentos – na verdade, muitas pessoas acreditam que colecionar instrumentos e equipamentos musicais é, muito além de um prazer, um ótimo investimento financeiro (se você tiver o significado monetário em pauta quando estiver colecionando).
Você detecta a presença de GAS quando a necessidade compulsiva de “envenenar o equipamento” se sobressai ao desejo de crescer como músico, compor, gravar, (e se você aspira tocar profissionalmente) conquistar uma gravadora.
Outro sintoma independente de GAS é a tendência de impulsivamente negociar um ótimo ítem de equipamento que lhe pertence na troca por um outro, objeto de seu insaciável desejo (geralmente pagando uma boa quantia em dinheiro) e arrepender-se da transação mais tarde...
O propósito deste artigo – evitando GAS – é passar adiante conhecimentos que Brett Ratner adquiriu como jornalista, aprendendo da maneira mais difícil (ele confessa... sofria demais com sua GAS!!!). Seu intento é eliminar o sistema de “tentativa e erro”, economizando o seu dinheiro e paciência, ajudando a fazer negócios duradouros e com sabedoria (na primeira tentativa...). Ao final, você ficará com equipamento que o faça feliz e proporcione um ótimo som – e não um monte de quinquilharias inúteis que você vá vender em 6 meses.
Outro benefício da compra educada é que você vai ter fundamentos para criar o seu próprio “setup” – isto é, sabendo como formar o básico e conhecendo alternativas, você poderá “incrementar” seu equipamento por diversão, e não pela necessidade urgente de chegar a um timbre platônico que nem mesmo você sabe qual é.
Quando se aprende a escolher uma única guitarra e um único amplificador que seja do seu gosto, você não NECESSITARÁ comprar mais nada. Aí sim, você PODERÁ sair colecionando pedais, porque você QUER, e não por PRECISAR. Da mesma maneira, você pode determinar um “set” (conjunto) de amplificador e pedais básicos, e ter, POR OPÇÃO, 2 ou 3 guitarras de timbres completamente diferentes que satisfaçam seu gosto e variação musical. O crucial é que quanto mais rápido você reconhecer O QUÊ funciona bem com O QUÊ, mais rápido você vai se tornar um músico melhor – afinal, um bom equipamento ajuda, e muito.


8.1.) Setup com Amplificador Clássico

Este setup é o mais comum, pelo menos nas raízes do blues e rock alternativo: o clássico (guitarra – pedais – ampli estilo “vintage”). Para muitos, vantagens como transporte, facilidade de manuseio e custo relativamente baixo fazem desta escolha a mais eficaz para ensaios e apresentações em pequenos clubes. Outra vantagem é que pedais externos são relativamente baratos, e se você tiver problemas com seu ampli, ao conectá-los à outro diferente (ou até mesmo diretamente à mesa) você conseguirá um som relativamente parecido – e o show continua. Em comparação, se o seu ampli de multi-canais pifa ou seu pré-amp rack vai pro espaço, você foi junto...
Para aqueles que estão pensando em comprar sua primeira guitarra (ou para aqueles que acreditam que compraram uma um dia, mas que tem certeza de que ela não soa como uma), uma dica fundamental: a qualidade de um “set” de equipamentos depende de como todos eles funcionam JUNTOS.
Nenhum ampli soa bem com qualquer guitarra. Nenhum pedal de distorção trabalha perfeitamente em qualquer situação. Não existe uma guitarra que satisfaça o estilo de qualquer guitarrista. Baseado nisto, lembre-se das suas aulas do ginásio. Aqueles experiementos de ciências, em que haviam “grupos de controle” para comparar um resultado a outro. Pense desta forma quando for comprar um equipamento.
Em outras palavras, como você pode comparar amplis se você não ouvi-los todos com a mesma guitarra? E quando testar guitarras, teste-as sempre em um mesmo ampli (marca, modelo, wattagem). e você já tiver determinado guitarra e ampli, leve-os ao music-shop (ou leve a guitarra e utilize um ampli semelhante) quando estiver atrás da distorção ideal.
É crucial decidir um componente por vez – ao contrário daquela história “que legal vou ganhar tudo da minha mãe no aniversário...”, entra-se numa music-shop, encanta-se com isso e aquilo, e aí ... GAS!!!
Para muitos, prestar atenção ao seu “guitar-hero” é um ótimo começo. Se você adora o timbre de Steve Ray, seu ouvido pede uma Strato – é óbvio. Se você é fã de Ace Frelley, corra atrás de uma Les Paul. Se Beatles é seu objetivo, uma Rickenbacker será seu destino. Somente após encontrar a guitarra dos seus sonhos, parta para o restante.
De outra maneira, se você é o tipo de cara que se imagina num palco tendo ao fundo a aura poderosa e o visual arrasador de um Marshall estático admirando sua performance, compre este ampli... mas DEPOIS vá encontrar a guitarra que lhe proporcione o timbre desejado, SEMPRE testando-a em seu Marshall antes de comprá-la.
Em qualquer caso, a melhor maneira de evitar o velho “tentativa e erro” é ir direto ao seu objeto de desejo, ou seja, o equipamento que proporcione a você o som/visual/imagem/feeling/vibração que lhe satisfaça. Depois de encontrada esta primeira peça, vá montando seu “set” como um quebra-cabeças, peça por peça.
Voltando aos amplis. Existem 3 tipos clássicos de amplis “vintage”: estilo Marshall, estilo Fender e estilo Vox. Enciclopédias foram escritas para justificar porque se classificaram os amplis “vintage” nestes tres grupos, e não será aqui que discutiremos isto. Entretanto, o que nos interessa no momento é que o que os torna “vintage style”: é a falta de um volume master ou uma seção de pré-amplificadores em cascata para gerar distorção. Isto significa que para gerar distorção/overdrive, você tem que literalmente “arregaçar” o volume até o talo, ou usar a maneira mais simples – e lógica: deixar o ampli “clean” e usar um pedal antes dele.
Uma das vantagens de se usar este esquema pedal/ampli vintage é a existência de um só volume para se preocupar. Em um ampli de canais múltiplos, você tem que regular separadamente os canais “limpo” e “sujo” do ampli, geralmente não tão simples de se fazer sobre o palco. Usando-se o sistema de “rack”, na maioria das vezes, você terá pelo menos uma dúzia de “patches” para se embananar... Com o pedal/ampli vintage, é só ajustar o volume do pedal de maneira que o som “by pass” (sem ele) tenha volume correspondente ao som sujo. Depois disso, esqueça os problemas e ajuste o volume do ampli conforme sua necessidade – ensaiando, passando o som ou na hora “H”.
Combinações clássicas de equipamentos existem, é claro. Seriam algumas delas: guitarras Gibson em amplis Marshall, Fender em Fender, Rickenbacker em Vox. Existem justificativas – e exceções para elas.
As Gibson, por exemplo, soam estridentes através de um Fender. Já as Fender soam um tanto quanto abafadas em um Marshall. Por outro lado, todo mundo que já ouviu Beatles sabe como uma Rickenbacker soa em um Vox... Mas isto é só um ponto de partida – Hendrix fazia sua Strato gritar em um Marshal “Plexi” e Ted Nugent criou seu timbre legendário plugando sua Gibson Byrdland em um Fender Bassman. Santana tem gravado seus útlimos discos mandando sua PRS em 3 – isto mesmo – 3 amplis diferentes: um Fender, um Marshall e um cubo Mesa-Boogey.
Estas são somente dicas – você pode não ter uma Gibson e nem dinheiro para comprar um Marshall. Mas se você for a uma music-shop e plugar esta combinação, sentirá o timbre; gostando, procure a sua combinação equivalente. Vale buscar alternativas (algumas caras, outras não): Roland, Peavey, Laney, Crate.
Finalmente, o maior trunfo desta combinação é quando existe a necessidade de se tocar uma variedade infinita de estilos diferentes. Suponha que sua banda country lhe deu um pé na bunda... Mas seus amigos tem uma banda heavy-metal e o guitarrista foi servir a marinha por 2 longos anos. Guarde os seus pedais Compression, Delay e Volume e compre um bom Distortion – talvez um Wha e pronto! Seu “setup” é totalmente reaproveitável. Não passou no teste e pintou uma chance de tocar um jazz? Largue a sujeira em casa e ponha um bom Chorus box na frente de seu ampli. Notou a simplicidade de mudança de timbre? Além do que, com a montoeira de pedais usados à venda e/ou para troca na Internet, jornais e casa especializadas (fruto, é claro, de epidemias incontroláveis de GAS), esta mudança nem sempre é tão dolorosa.
Na hora de comprar um “dirt box” (= caixa de sujeira. he, he, he), considere que guitarras baseadas na elétrica de uma Strato tem uma curva EQ (equalização) em “V” – ligadas em um TS-9 Tube Screamer, por exemplo, gerará um som de boa qualidade, por que este pedal tem um médio muito pronunciado (a curva em “V” enfatiza picos de graves e agudos). Já uma guitarra de timbre Gibson, cheia de timbres médios, ligada no mesmo pedal vai gerar um som estridente. Para estas guitarras, seria melhor dirt boxes com EQ em “V”, como o Danelectro Fab Tone (notou um padrão aqui? Guita em “V”, box com médios; guita com médios, box em “V”). É muito bom também familizarizar-se com as diferenças tonais entre “distorção”, “overdrive” e “fuzz” – saia “caroçando” com sua guitarra embaixo do braço pelas music-shop e faça sua escolha.
Acho que ficou claro porque esta é a melhor configuração em simplicidade de uso, versatilidade e – é óbvio – preço. Além do que, você não precisa comprar tudo de uma só vez, podendo ir montando tudo aos poucos, sem precisar esperar até o fim para ir usufruindo do investimento. E é por isso tudo que esta é a configuração mais utilizada por músicos da noite e de pequenos shows em todo o mundo.


8.2.) Setup com Amplificador Estilo Moderno

Um amplificador de estilo moderno é aquele que apresenta distorção através de “pré- amplificadores em cascata”. Em outras palavras, a distorção é criada por múltiplos pré- amplificadores que sobrecarregam a seção final de pré-amplificação antes de enviar o sinal para as válvulas de potência. É esta a diferença entre eles e os amplificadores “vintage”, onde a distorção só pode ser obtida sobrecarregando o sistema final, geralmente necessitando de volumes às vezes inadequados ao local (como o seu quarto, por exemplo...)
A vantagem do sistema moderno é que você pode ter distorção líquida a níveis de volume rasoávies. E como as válvulas de potência permanecem “limpas”, você pode adicionar efeitos após o pré-ampli (no “loop” de efeitos) – como delay, chorus, etc... ao som distorcido natural do ampli.
Outros recursos são mudança de canal, saída para mesa com “simulação de alto-falante” e, é claro, muito mais espaço no local de trabalho, já que são compactados em tamanho bem menor que os antigos “vintage” (embora tenham o mesmo peso...)
Aí começam as desvantagens. Geralmente é muito complicado mixar os canais limpo e sujo sobre o palco – isto porque existem tipicamente controles separados de volume e EQ para cada canal. Outra é que, especialmente nas unidades mais caras, existem tantos controles, EQ, opções de tom e outros trecos que o ampli pode ter um som completamente horrível se você não souber exatamente o que está fazendo. Por sorte, algumas fábricas vêm publicando “exemplos de regulagens” em seus manuais, para se ter um ponto de partida. Se você for do tipo “plug and play”, esqueça... vai ter que ralar até sincronizar sua guita num ampli destes.
Este tipo de ampli leva, invariavelmente, a ataques repentinos de GAS... Isto porque, embora tecnologicamente muito bons, eles limitam o seu som a, praticamente, 3 timbres: o do canal limpo, o do canal sujo e, em alguns casos, um “boost” para os solos. Além disso, é a sua guitarra e sua técnica – que se não ajudarem, vão aumentar ainda mais o seu GAS.
Esta é a receita ideal para o disastre entre guitarristas. Você vai a uma loja, pluga numa destas belezas high-tech e... você fica completamente “tarado” por ele – principalmente quando o vendedor fica na sua orelha e lhe diz como seu som está legal nele... Aí você chega em casa, vende o seu ampli antigo por uma bagatela, corre para comprar o novo, volta eufórico para casa e quando pluga novamente nota que o som já não é tão extraordinariamente sensacional quanto na loja. Você fica arrependido, não satisfeito com a nova compra e em seis meses o ciclo começa todo novamente.
A verdade sobre esta situação é que ambos – o antigo e o novo – tem um ótimo som. Só que são sons diferentes. Mas quando você tem um timbre à sua disposição, e somente ele, parece ao seu ouvido que o do vizinho é sempre melhor... O remédio para isso é, pura e simplesmente, ter certeza ABSOLUTA de que você realmente AMA o som do ampli que você está comprando – é melhor gastar um pouco a mais do que o esperado, ou até mesmo esperar e juntar o faltante para adquirir o que você REALMENTE quer do que tentar um “upgrade” posteriormente. Após comprá-lo, tenha em mente que ele “faz parte” do seu timbre, tanto quanto... seus dedos.
Se for possível, antes de fechar o negócio, leve o ampli para casa, teste-o num ensaio ou apresentação, veja como se comporta sua guitarra e seu som junto com os outros instrumentos; peça opiniões aos seus colegas de banda e expectadores costumeiros. Compare com o som do seu antigo ampli.
Em segundo lugar, familiarize-se com o tipo de sons que podem ser extraídos dele. Verifique se o circuito foi fabricado para trabalhar com guitarras de características compatíveis com a sua. Por exemplo, se o ampli tem tendências a enfatizar sons cheios e solos “dark”, ele renderá melhor com guitarras semelhantes às Strato e Telecaster; se, por outro lado, o ampli tiver mais “mordida”, com médios aos montes, certamente casará com circuitos tipo Gibson. Alguns amplis tem canais diferentes, baseados em timbres clássicos, como Fender, Marshall, Mesa/Boogie, etc. Melhor ainda, outros tem, além dos canais acima, a opção de trabalhar com cada um limpo ou sujo – o que leva a uma opção melhor ainda: timbre Marshall sujo e timbre Fender limpo, por exemplo. Outras marcas como Bogner, Naylor, Tech 21, Laney, Peavey e Roland são escolhas igualmente satisfatórias (sejam eles valvulados ou solid-state).
Terceiro, procure sempre por algo que lhe satisfaça no palco e no estúdio. O loop de efeitos é compatível com unidades de efeito em nível de instrumento e/ou nível de linha? O pedal de controle pode controlar o loop de efeitos, assim como o “booster”, e talvez até o EQ? O ampli é ao mesmo tempo potente em alto volume e soa bem a níveis de ensaio? Será ele portátil o bastante?
Os critérios de construção também devem ser levados em consideração ao investir num ampli high-tech. Verifique cabinete, acabamento, e, principalmente, a parte eletrônica – prefira sempre um do tipo “equipamento militar” a um mais “delicadinho”. Seu investimento deve ser prolongado, não acha?
Finalmente, você deve sentir o caráter do ampli, ao mesmo tempo que o timbre de sua guitarra soe transparente através dele. Isto porque se você decidir entrar no caminho de um ampli moderno, você DEVE SABER que ficará restrito a uns 2 ou 3 timbres – e que a maneira de tornar isto um pouco menos monótono é ter pelo menos um par de guitarras para usar com ele.
Concluindo, se você consegue se considerar imune ao GAS, um setup baseado em um ampli high-tech vai lhe oferecer um timbre cheio, distorção de válvula e um “lead” vigoroso, tudo embalado num pacote potente, relativamente pequeno e versátil.


8.3.) Montando um sistema de Rack

Sistemas de rack são largamente recomendados como o setup primordial para o músico profissional, seja ele de palco ou estúdio.
No mundo das gravadoras, ter acesso a efeitos em estéreo e a escolha por uma gravação direta “on line” (ou os dois ao mesmo tempo) é uma coisa perfeitamente exigível pela maioria dos produtores. É também tão importante quanto isto a possibilidade de ter ao seu alcance o controle de algumas dúzias de “patches” (memórias) e atingir o seu timbre desejado sem atrazar o ritmo das sessões de gravação regulando pedais, botões e potênciômetros por horas...
Para o músico profissional em constante turnê, o próprio rack serve como “case”, pela sua resistência e compactação. Além de ter todos os componentes agrupados num só volume, prontos para você plugar sua guita e tocar, sem fiarada e conexões para todo lado, um par de caixas em estéreo lhe dão a possibilidade de espalhar melhor seu som sem apelar para o volume final. Ao final, adicionando um pedal controlador de MIDI acaba com a “dança do pezinho no pedal” de uma vez por todas.
Tudo ótimo, não? A desvantagem para o rack é mínima... O PREÇO! Logo, é de seu máximo interesse conhecer passo a passo como escolher o seu rack ideal na primeira vez – sem ataques de GAS.
Para iniciantes, vamos assumir que você escolheu sua guitarra ideal. A menos que você goste de fretar um caminhão cada vez que se apresentar para levar pedais e guitarras, a beleza do rack é que você pode se limitar a uma ou duas guitarras e ainda ssim ter uma variedade infinita de timbres. O importante é levar SUA guitarra à loja quando for montar o seu rack.
Muito importante, também, é ter em mente que o que você está comprando é um SISTEMA INTEGRADO – e uma corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco... entenda e aplique isto. Deixar um ítem passar desapercebido vai com certeza atrapalhar o funcionamento de todos os componentes.
Os componentes básicos de um sistema de rack são, basicamente, quatro. O pré-amplificador, o amplificador de potência, caixas/alto-falantes e um processador de efeitos. Um pedal controlador de MIDI poderia ser tecnicamente considerado um quinto componente, caso você queira.
Um erro primário de muitos guitarristas é considerar o processador de feitos como peça principal sobre todas as outras. Mais além, muitos confundem o próprio conceito: rack é um processador de efeitos – NÃO É. Outros, ainda, eliminam o pré-ampli de sua lista e adquirem um destes processadores com pré embutidos. A opinião de Brett Ratner (e minha, e de muitos que já caíram nesta) é que a seção de pré dos processadores é uma porcaria (REALLY SUCKS...) – é necessário sabre que quando dois aparelhos eletrônicos de construção, carcterísticas efinalidades diferentes compartilham os mesmos componentes, um dos dois certamente sairá prejudicado.
Primeiro, esqueça os efeitos. Procure um pré-ampli “matador”, totalmente dedicado, que combinado com um amplificador e boas caixas lhe forneçam tudo que ele seja capaz de produzir. O único jeito de descobrir isto é pegar sua guita, por embaixo do braço e ATORMENTAR um pobre vendedor na music-shop...(escolha um com cara de bonzinho, e boa sorte – se ele começar a rosnar, tente a velha desculpa “eu sei que estou dando um pouco de trabalho, mas se eu gostar de algo, imagine só quanto poderei estar gastando aqui...”)
Quando o timbre e sons perfeitos forem encontrados, vamos conferir as possibilidades do seu possível pré-amplificador (de preferência, valvulado). Ele DEVE ter, pelo menos, três timbres: um limpo “branco-total-radiante”, um distorcido bem “crocante” e um “lead” expressivo. Se tiver algum mais, melhor ainda. Se não triver pelo menos os três, esqueça – tente outro. Depois de cumprida esta parte de timbres, controle MIDI, saídas XLR para gravação e um “loop” estéreo para conexão de efeitos – com controle de nível entrada/saída – são características obrigatórias. Se não estiverem presentes, esqueça...
O amplificador de potência (estéreo) deve ter presença, potência saudável e timbre cheio e forte. Alguns amplis têm volume mas parecem “fracos”. Usando o mesmo pré-ampli, você deve testar vários amplis até sentir o que deseja. Geralmente os totalmente valvulados soam melhor, mas existem alguns solid-state que arrasam – além disso, são mais baratos, mais potentes, mais leves e tem uma vantagem extra: soam como solid-state e tem simulação de valvulados – o que aumenta um pouco mais sua gama de timbre. Deixe que suas orelhas sejam os juízes...
Independentemente da sua escolha em falantes, escolha caixas construídas em compensado naval (evite aglomerados). Um set de 2 caixas acústicas geralmente soa melhor do que um de uma só caixa com ligação em estéreo – embora seja menos portátil. Uma solução é um set de duas caixas de 1x12”, uma com fundo fechado e uma aberta. Por útlimo, teste a maior quantidade de falantes possíveis – qualquer coisa semelhante aos Celestion “Vintage 30” é um bom ponto de partida.
Agora que você encontrou o seu som ideal, vamos atrás de um processador de efeitos. A grande maioria de processadores tem efeitos semelhantes e não encontrados em outros componentes do rack – além disso, sua escolha é mais uma questão de gosto. O que vamos sugerir é que você encontre uma unidade que lhe dê plena satisfação de efeitos – depois, verifique a existência ou não de pré-ampli embutido. Existem três opções: ESQUEÇA e parta para outro; verifique a possibilidade de utilizar o rack com ou sem o ampli ou, ainda, tente equalizar o EQ do pré de maneira a interferir o mínimo possível no timbre dos outros componentes – afinal, o processaador de efeitos só tem uma função em seu rack: produzir efeitos.
Quanto ao pedal controlador de MIDI, escolha a melhor opção para trabalhar com seu processador de efeitos – alguns processadores, inclusive, aceitam conexão de um pedal de expressão; escolha um que seja compatível.
E, é claro, escolha um rack durável que acondicione os seus equipamentos de maneira segura, leve e portátil, com espaço disponível para futuros up-grades – como afinador eletrônico, bateria programável, regulador de força, etc.
O preço...realmente é um problema. Além disso, o sistema só funcionará quando você puder, pelo menos, adquirir pré-ampli, amplificador e caixas/falantes. Você terá restrição de timbres, mas poderá esperar um pouco mais até comprar seu processador de efeitos. Uma coisa é real – quando pronto, você terá a disposição o “top” em setups para guitarra.
Aguarde a continuação! guitarras e pedais – aprenda a escolher certo!

Publicado no site “A Casa das Cifras” (http://www.casa.cifras.nom.br), em 05/11/1.999

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