terça-feira, 24 de março de 2009

Entrevista: Herbert Vianna, Revista Guitar Player, maio de 1.998

O Brasil possui grandes guitarristas, todo mundo sabe. Não é a toa que temos inumeros musicos em nossas paginas. Porem, é pouco provável que alguém tenha o mesmo carisma e respeito do lider dos Paralamas do Sucesso. Um guitarrista de acordes cem articulados e timbre inconfundível. O homem de frente de uma das mais importantes bandas do rock nacional. Mais que isso, um apaixonado como poucos pela guitarra. Com voces, Herbert Vianna.

Guitar Player: Ouvindo hei na na, parece que a banda esta cada vez mais madura. Você saiu do estúdio satisfeito?
Herbert Vianna: cara, a gente saiu muito satisfeito. com o passar do tempo, nos fomos chegando a conclusao de que o estudio nao e o ambiente ideal para voce fazer musica. O estudio e um lugar com taximetro rodando, um lical onde as pessoas noa estao necessariamente envolvidas. E hey na na foi uma grande conquista. Trabalhamos com o produtor chico neves e com computadores, o que ajuda muito na praticidade. Gravamos tudo em Pro Tools, nem a mesa usamos. A gente gravava e ia trabalhar depois nos sons. Entao, o chico se tornou um integrante da banda, alem de produtor. nao tinha aquela coisa de dar problema no cabo, nao sei quem foi tomar café, ta com dor de barriga ... Nao houve nada disso, eramos nos, o chico e a musica. nossa vontade de experimentar novs ideias e o tempo pra ver se elas funcionavam eram possiveis devido a rapidez do processo. em geral, somos rapidos em estudio, nunca ficamos muito tempo, exceto em Severino, que noa foi por culpa nossa e sim do produtor.

GP: o disco tem bastante guitarra, mas com som brasileiro. isso tem a ver com trabalhar com produtor Ingles ou Brasileiro, caso de Severino??
HV: Nao, curiosamente Severino e um dos discos mais brasileiros da gente. acho que isso nao e regra. na verdade, depende da safra de composiçoes que vc tenha pra trabalhar. Entao no caso de hey na na , as musicas a um tipo de instrumentação. tem essa coisa da guitarra tb, mais isso e uma coisa deliberada, ha um certo tempo deixei de usar o teclado em casa. tive um encantamento inicial com computador, com essas coisas, e eu passava quase todo o meu tempo trabalhando nisso. Ate que , ha uns tres anos, na final da turne do disco VAmo Bate LAta, a GIBSON ( marca de guitarra) fez a proposta de um patrocinio, e me deram uma Les Paul *(modelo da guitarra). Esse modelo tem um poder sobre a minha pessoa que e uma coisa dificil de descrever. para vc ter uma ideia, quando eu era moleque e nao tinha guitarra ainda, meu irmao me deu uma pagina do Jornal MELODY MAKER com um anuncio da GIBSON com varios modelos. eu dormia com aquilo em baixo do meu travesseiro. Meu heroi em Brasilia, era um cara chamado Eduardo Watson, um guitarrista maravilhoso que tinha uma GIBSON, entao esse nome era muito poderoso para mim. Quando os caras me deram GIBSON LES PAUL e comecei a tocar de novo, parece que tive um flash back da minha infancia, da minha adolescencia, da epoca em que eu comecei a tocar guitarra. voltei a tocar guitarra, comecei a comprar ampilificadores diferentes, experimentar coisas novas e investir mais tempo e paciencia em rpocurar um bom som. Voletei a praticar, tive acesso ao CUSTON SHOP DA GIBSON, que tem alguns modelos extraordinarios de guitarra, e tenho acesso pra experimentar tudo. GP: e isso interferiu na sonoridade do disco? HV: esse ano decidi tocar mais guitarrae queria que o disco tivesse uma presença forte dela. as 2 musicas que abrem hey na na deixam claro que ha guitarra. estamos começanco a turne e estou escolhendo guitarras diferentes para as musicas. antes, levava tres guitarras iguais e tocava o show inteiro com uma, a nao ser que a corda quebrasse, o que acontece muito, porque tenho a mao bem pesada. Agora esta sendo um sonho.

GP: voce vai usar uma guitarra para cada musica?
HV: nao necessariamente. uso uma GIBSON CHET ATKINS na maioria das musicas. Preciso de um som limpo e alto. isso explica porque nunca gostei dos MARSHALLS (marca de amplificadores). E a ATIKINS tem coisas que adoro: o balanço, o peso, o fato de ser semi-acustica; ela tem um volume geral na frente, no corte da guitarra, como as GRETSCH (TB MARCA DE GUITARRA). Em teoria, e uma guitarra country, mas funciona maravilhosamente bem pra mim.

GP: Quais outros modelos vc pretende usar?
HV: Uma GIBSON LES PAUL, nas musicas que tenham solos, que exigem mais peso e volume com distorção, e uma B B KING LUCILLE para tocar Caleidoscopio. Depois que toquei nela, dsescobri porque é a guitarra do Blues. parece um gato ronronado, tem um braço maravilhoso para tocar. A musica Um Amor, Um Lugar, tem uma finação especial, a DADGAD, do JIMMY PAGE, que uso bastante nos violoes. Nela especificamente, uso um capotraste no quinto traste. entao, preciso de uma guitarra so pra essa musica, que é uma EPIPHONE SORRENTO azul, linda, otima de tocar. Apareço com ela no clip de Bela Luna. GP: e pra gravar hey na na, que outros instrumentos usou? HB: usei uma variedade de GIBSONS, EPIPHONES e reedições da STRATOCASTER 57 e da TELECASTER 52. tudo em aplificadores pequenos. peguei uma tara por amplis pequeno, de baixa potencia, bem microfonado. GP: desde quando vc tem essa preferencia: HV: outro dia estava conversando com o Frejat e com o Wander Taffo sobre icrofonação de guitarra e o Wander acredita muito num microfone SHURE SM57 colado no falante. meu set up melhorou bastante a partir daquele dia. qudno gravamos hey na na , colocamos um Fender pro Junior de 15 watts embaixo de uma mesa de madeira. E um amp muito flexivel, otimo para passagens limpas e para solos. usei tambem um AC15 da VOX igualmente bom para sons limpos e que tem um tremolo maravilhoso, um verdadeiro privilegio. Microfonamos com um NEUMANN antigo, tipo 47, a uns 60 cm do aplificador e outro microfone, o chico tem uns sovieticos valvulados atras da mesa, proximo do chao. ali era gerada uma zona de graves e entre esses dois microfones, a gente trabalhava os timbres. sao os melhores sons de guitarra que ja tive.

GP: Todos os sons foram gravados com esses microfones?
HV: Nao. o chico neves comprou o Microfone DUMMY HEAD, da NEUMANN, que tem o formato da cabeça humana, com dois microfones dentro das orelhas. Um microfone normal na boca do falante nao "ouve" o mesmo que vc, nao capta a mesma ambiencia, na esta na mesma posição e angulo. O DUMMY reproduz melhor o modo como ouvimos.

GP: vc usou algum efeito na gravação?
HV: Somente o VOODOO VIBE DA ROGER MAYER. era do chico neves, gostei tanto que comprei um pra mim .

GP: é o mesmo que HENDRIX usava?
HV: Exato. Alguns pedais que ele usava foram relançados, como o OCTAVE, O FUZZ FACE, e um deles é o VOODOO VIBE, que é um voibrato, chorus e trêmolo. usei muito o tremolo dele.

GP: em que momento vc optava entre FENDER E GIBSON?
HV: Experimentava as guitarras. no final do ano, dei para o chico neves uma EPIPHONE CASINO, UMA 335 extremamente bem feita. na ultima hora, surgiu a ideia de gravar a musica do CHARLY GARCIA e o chico sugeriu essa guitarra.. Gravei com a CASINO e chapei. Nunca tinha experimentado no estudio. E uma guitarra maravilhosa. levei varias guitarras no estudio, incluindo uma ES 125 de 1957 com dois captadores P90. Ela nao tem Cutaway, e seu formato é de violão.

GP: Vcs gravaram junto ou em separado?
HV: Nesse disco, pela primeira vez, gravamos a bateria por ultimo. E uma boa punição para um baterista, por que ele ve o angulo dos outros musicos que sempre tem de se adaptar a bateria. Deve ser uma descoberta interessante. No geral, a primeira coisa que gravamos foram o violão e voz com algum loop como guia. acabamos deixando alguns loops no formato final dasa musicas.

GP: Como vcs escolhem as musicas que vao entrar nos discos?
HV: vemos as que funcionam melhor. Para esse disco nos preparamos bastante, fomo para o estudio com 18 canções. ha musicas de que gosto muito e que ficaram de fora. Eventualmente mando essas musicas para outras pessoas gravarem.

GP: Pode citar algum caso?
HV: mandei uma para o DJAVAN. E uma das minhas favoritas, mas nao consigui cantar porque tenho limitações vocais. Gosto tanto dela que acho que merece ser bem cantada.

GP: Por Sempre Andar lembra Blues antigo. Como foi feita?
HV: a ideia dessa musica nasceu de um riff de guitarra, uma STRATO 57 ligada no FENDER PRO JUNIOR, sem efeitos. E uma coisa bastante simples e facil, mas que funciona bem. tenho varias ideias de riffs na manga pra desenvolver.

GP: Houve algum truque para passar o sinal da guitarra, botanto o amplificador em outro ambiente por exemplo?
HV: Onde mixamos havia uma sala de pedra maravilhosa e trabalhamos ali. Depois, o engenheiro lancou o sinal da guitarra num VOX AC 30. Ele microfonou de novo e tratou o som da guitarra. Fiquei tão impressionado com o resultado que encomendei uns amplificadores VOX para a proxima turne. No momento uso dois FENDER BLUES DE VILLE DE 60 WATTS, e dois falante de "12" cada. Uso o volume no Tres, abro o estereo e o som fica fabuloso. Nao sei se o VOX vai supera-los.

GP: A musica "Depois da Queda o Coice" tem uma pegada forte de guitarra, uns fraseados de blues.
HV: Isso vai parecer extranho para quem acompanha Os Paralamas, mas quando eu comecei, tudo o que eu queria era tocar Blues como os guitarristas de rock o faziam. Um dos meus favoritotos é um car chamado PAUL KOSSOF, que tocava no FREE. Amo esse cra tocando guitarra! Bem, nao preciso falar da Trindade, Clapton, Page e Beck. Acho que JEFF BECK é o melhor guitarrista que ja existiu. Adoro Jimi Hendriz tb, mas por outras razoes: a personalidade como compositor, a relação voz e guitarra ... Agora como solista, nunca houve ninguem como JEFF BECK. Depois que voltei a tocar guitarra com empenho, passo o dia inteiro tocando blues em casa. Um pequeno lampejo disso é Caleidoscopio, que tem uma linguagem de blues e deixa claro que este nao e um didoma estranho pra mim. Caleidoscopio e uma das musicas que mais espero no show, porque posso fazer um solo longo, lento ...

GP: Trem da Juventude tem acoredes de Bossa Nova e uma segunda cadencia pop ...
HV: É uma harmonia que vai progredindo.

GP: Vc a compos intuitivamente?
HV: quando morava me Brasilia, tive aulas durante um ano e meio com um cara chamado Alcione. era um violonista fabuloso, sabia muito de harmonia. Ele tinha um violão que nunca vi igual, um DEL VECCHIO com trastes inclinados. Quando vc fazia movimentos que exigem abrtura muito grande, como o traste era inclinado, dava um alcance maior. Aprendi todos os classicos da Bossa Nova. MAs depois comecei a tocar blues, harmonias e estruturas harmonicas mais simples.

GP: Mas existem composiçoes elaboradas na trajetoria do Paralamas?
HV: "Quase Um Segundo" é uma musica de acordes sofisticados. Outro exemplo de musica que harmonicamente é um pequeno trabalho de artesão é Nebulosa do Amor, do disco Big Bang. A´passagem da introdução de bossa nova de 3/4 para 2/4, e a sofisticação da harmonia sao coisas de quem teve oportunidade de estudar um puco de bossa.

GP: Voce toca bossa nova?
HV: so toco em casa, de onda. Nao sou um profundo conhecedor de teoria, nao sei nome de nehum acorde, nada. Mas intuitivamente sei alguns lances. Gosto de harmonizar "A Times Goes By" e outros classicos americanos. Adoro solar e harmonizar ao mesmo tempo.

GP: Fale um pouco sobre as afinações que usa.
HV: Comecei a usar a afinação DADGAD depois que tive a oportunidade de passar algumas horas com o Jimmii Page. levei minha GIBSON de dois Braços ´para ele assinare conversamos a tarde toda. usei uma afinação que inventei no disco SEVERINO, era, MI, LA, RE, MI, LA, MI, de baixo para cima, muito boa para tocar coisas arabes, meio nordestinas. Quando ele pegou a guitarra e começou a tocar me perguntou: O que é isso?, e anotou em um pedaço de papel. ele é louco por afinações alternativas, depois me mostrou coisas do DADGAD como tocava KASHMIR. A musica BRASLIA 5:31 é feita com com um violão de 12 cordas na DADGAD com capotraste preso na segunda casa. tenho uma outra que é em SOL Aberto, e recentemente o Lulu Santos me ensinou a do Keith Richards em 5 cordas. Estou fazendo algumas coisas nessa afinação.

GP: Em Brasilia 5:31 voce usa Slide e Ebow?
HV: Toco com slide, o ebow foi o Dado Villa- Lobos quem usou. Nunca me apliquei em usar slide e sei que quem oca bem slide usa afinações diferentes. Eu precisaria de muito treino para aprender a solar numa afinação diferente, então preferi a normal. Isso nem sempre e satisfatório, as vezes sobra um acorde, uma nota, principalmente para acordes menores.

GP: Você usa algum efeito naquela musica?
HV: Não. Coloquei a Chet Atkins direto num pré-amplificador valvulado muito antigo.Deu um som gordo, meio velado. Fiz algumas experiências assim, e as vezes dá um resultado surpreendente. A musica Speed racer, do primeiro do primeiro disco da Fernanda Abreu, que regravei no disco Santorini Blues, tem aquela guitarra com um osm bem diferente. E uma Telecaster com um compressor, ligada direta na mesa e com o TOM todo fechado.

GP:O disco tem varias participações de músicos de estilos bem variados: Dado Villa Lobos, Carlinhos Malta, Jorge Mautner, Marisa Monte. Existe algum critério na escolha desse pessoal?
HV: Nos ficamos ouvindo as musicas e algum nome vem a cabeça. Foi assim com Uma Brasileira, por exemplo. Dissemos: Ia ser lindo se o Djavan cantasse. A musica era a cara dele. Na faixa O Amor Não Sabe Esperar, do disco novo, a gente queria que o Tim Maia cantasse com a Marisa Monte. Chegamos a falar com ele quando o encontramos no aeroporto Santos Dumont (RJ). Ele disse [imitando o modo de Tim Maia falar] “ Preciso de seis canais: um pra voz principal, outro mais em baixo para os sussurros, outro para a oitavinha la em cima e três pro vocalzinho, maiorzinho, perfeito, la la l ala ...” Ficou horas falando sobre isso. Nos topamos. Ligamos pra ele varias vezes. E lógico, O Tim não pareceu (rsrs).

GP: da pra percebe que vocês ouvem de tudo e tem um conhecimento musical vasto.
HV: conhecimento a gente não tem e sim muita curiosidade e entusiasmo. Temos as nossa limitações e algumas coisas de que não gostamos.

GP: Por exemplo?
HV: A musica eletronia de pista. Nesse disco, fizemos alguns remixes e estamos na duvida sobre o que fazer com eles. Não gostamos de pegar uma musica e transformar num bate estaca. Fiz 37 anos, ouvi Led Zeppelin a vida inteira e pensava: “ Que legal. Os caras não lançarem singles do disco”. Não quero ser xiita com isso, single e bacana tb, mas no fundo da minha alma tem alguma coisa que não se adapta muito bem a essa idéia de baratear, fazer a musica soar igual a um monte de coisas que tocam na pista. Acho super bacana esse pessoal do MASSIVE ATTACK, mas em geral, não sou fã das transformações de musica que não são feitas com essa intenção para a pista. Fizemos remixes para ver como e que soa e alguns dubs. Mas musica eletrônicarealmente não e do meu gosto. Prefiro ouvir uma banda tocando.

GP: Como os arranjos dos Paralamas são feitos?
HV: Há um arranjo prévio. Começamos a trabalhar e vamos mudando ate chegar ao que a gente chama de formato orgânico, a maneira confortável de tocar.

GP: Você e um guitarrista que se estabeleceu como compositor. O que vc acha disso?
HV: Eddie Van Halen e um guitarrista fabuloso, porem gerou uma onda de guitarristas com a qual não consigo me relacionar. Virou uma corrida técnica sabe?
Gosto da simplicidade de um bom vibrato sabe, da melodia que a sua alma esta esperando, da nota que atinge em cheio. O Blues tem muito disso. Keith Richards não e grande tecnicamente. Mas se você pegar Yngwie Malmsteen, Satriani, Steve Vai, Frank Gambale, botar todos eles num saco, comprimir e tentar extrair algo, não vai ter nada que chegue aos pés da introdução de Honky Tonky Woman. E a idéia o que conta, a simplicidade. Se o cara tem uma boa idéia, ele e um pintor. A guitarra e um instrumento para vc colorir uma musica. Entendo que a molecada qdo esta começando queira tocar rápido e se espelhe naquilo, mas não tenho a menor atração por este tipo de approach.

GP: O que vc acha dos exercícios para desenvolver a composição?
HV: O Santana falou que isso não se aprende na escola. Você nas ce com isso ou não. Quando vc esta tocando, esta falando alguma coisa. No moneto em que existe uma separação entre sua cabeça e sua mão, não e você que esta tocando. Composição e a idéia, tem gente que tem boas idéias, originais, outras pessoas não terão nunca. E tem gente que tem boas idéias mas não exercita isso, não cuida do seu aparelho produtor de canções. Uma musica de sucesso e aquela que fala sobre algo que todo mundo sente e não consegue articular. Detalhes, do Roberto Carlos, por exemplo. Todo mundo que ouve sabe o que esta sendo dito: “Isto e exatamente o que eu gostaria de ter falado”. A capacidade de pegar isso é um privilegio que Deus da pra algumas pessoas. Não estou me colocando em uma posição especial , de maneira nenhuma. Não sou o Edgar Scandurra pra tocar, não sou o Renato Russo pra cantar e nem o Cazuza para compor. Arrumo um pouco daqui, um pouco dali. Estou trabalhando nisso há muito tempo. As idéias estão aí e se vc consegue captá-las deve cuidar da sua antena. Isso tem relação come estar exposto a coisas legais. No meu caso é ler muito, ouvir muita musica, ir ao cinema, andar na rua.

GP: Fale sobre sua paixão pela guitarra:
HV: Tenho fotografias minhas, usando chupeta e co um violãozinho de brinquedo. Qdo eu tinha cinco anos, meu pai me deu o primeiro violão, um Giannini. Aos 14 anos, ganhei minha rimeira guitarra, uma GIBSON L6S.

GP: Vc ainda tem essa guitarra?
HV: tenho, mas não e uma boa guitarra. É uma linha que a GIBSON tentou lançar mas não ndou pra frente. Nunca usei profissionalmente.

GP: Como esta sua coleção de guitarras?
HV: Esse e um dos maiores problemas que vou deixar para meus filhos. O que eles vão fazer com essas guitarras quando eu morrer? Pq é uma tara. Qdo eu era moleque, sonhava com guitarra, desenhava modelos em todos os cadernos. Assim que o Paralamas começou a ter algum sucesso e tive acesso a instrumentos legais .. ai foi um fim de mundo! Comecei a comprar, comprar, comprar guitarras e chegou um momento que não tinha onde colocá-las. Não podia usar ne cuidar de todas elas. Então adotei a política de que cada guitarra que eu comprasse, teria de dar uma.

GP: E como vc fez isso?
HV: O João Fera, nosso tecladista, é o meu olheiro musical e fica nos subúrbios do Rio, observando músicos que esta ralando na noite e não tem instrumento bom. Já tive a oprtunidade de dar instrumentos para pessoas ilustres. Por exemplo, para o Cidade Negra, o Ratos de Porão, O Rubinho, guitarrista do Programa Jô Soares Onze e Meia. Tenho muito prazer em fazer isso porque adoro o objeto guitarra.

GP: Chegaram varias cartas na redação pedindo ( rsrsrssr)
HV: No começo eu comprava qualquer coisa que aparecesse na frente. Depois fui ficano mais seletivo, principalmente após o acesso ao Custom Shop da GIBSON.

GP: E quantas vc tem?
HV: Cara, eu não saberia dizer. Guardo num misto de estúdio, deposito de guitarras e adega., o que não e uma combinação muito saudável ( rsrssr). Deixo tudo empilhado, e uma zona. Minha mulher não quer nem ver aquele lugar. Pretendo ter um lugar mais organizado para pendurar as guitarras

GP:Qual e a mais curiosa e a que vc mais gosta?
HV: tenho duas guitarras que usei muito. São Startocsaters da serie The Strat. Comprei pq o Lulu Santos e o Roberto do Recife tinham. Consegui duas desse modelo, uma azul metálica e outra de uma cor chamada Candy Maple Red. Ela está tão ralada, tão detonada, que o vermelho parece preto. Usei durante muito tempo e guardo como uma coisa especial.Tenho uma Gobson que e uma das mais difíceis de encontrar: a Les Paul reedição de 1959. Poucas unidades são feitas por ano, com um tipo de madeiras que ficam guardadas em depósitos especiais. A guitarra e um sonho.


GP: Voltando a sua técnica, vc tem uma pegada peculiar e com boa definição. Você faz exercícios?
HV: estudei muito no começo. Tenho um amigo que mora nos EUA, o Ney de Mello Matos, que e o cara mais técnico que conheço. Ele tem um violão de 38 trastes, e um monstro, tecnicamente nunca vi uma coisa similar. Durante uma época, ele me mandava exercícios. Eu so tocava violão, com cordas muito pesadas e palhetas de pedra. Fazia muitos exercícios de escala. Mas qdo ouvi as bandas Punks, O The Clash, The Specials, Madness, Police, nunca mais fiz exercícios. O que faço e tocar muito. Recentemente, o Wander Taffo me deu uns exercícios, ele me falou: Se vc fizer isso 15 minutos por dia, vai melhorar a sua mão direita. O Wander ama fazer exercício, o domínio técnico dele e incrível. Porem, isso realmente não funciona comigo. Ouça uma introdução como a de Start Me Up e falo: e isso que gosto de fazer. Quando estou numa loja de instrumentos e um molequinho toca os solos de Lanterna dos Afogados e Romance Ideal, me realizo. Não preciso mais do que isso.

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