terça-feira, 31 de março de 2009

Pra ver tocar...

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Guia de Guitarra elaborado por Edilson Hourneaux. Os melhores sites sobre guitarra, guitarristas, equipamentos, dicas e informações.Um Guia SobreSites.

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Guitar Idol Brasileiros dão show em performaces neste site Leia mais…

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Inclui Lições para guitarristas auto didatas, mas com experiência. WholeNote - The Online Guitar Community. Site colaborativo com muitas lições publicadas.

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Obras raras para download

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Tablaturas para Guitarpro

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Blues/Jazz/Revista online

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sábado, 28 de março de 2009

Textos de Teoria Musical

ARTIGO 12
TOM, CAMPO HARMÔNICO E PROGRESSÕES

Muitos anos atrás, cismei em aprender teclado popular – para quem nunca tocou e conhece violão/guitarra, funciona + ou – assim: a Mão Esquerda faz o trabalho de “base”, enquanto a Mão Direita leva a “voz” ou “lead”. Com alguma prática auditiva musical, logo eu estava facilmente “solando” com a Mão Direita, mas a falta de conhecimento teórico (que era o meu problema na época) me impedia de saber quais os acordes do acompanhamento. Quando eu perguntei ao meu professor: “Como colocar os acordes sobre a melodia?” ele me disse que eu viesse à todas as aulas, e, TALVEZ, na última aula do 4.º ano ele me ensinaria este “pulo do gato”! É claro que eu nunca mais apareci....
Ele sabia que se eu conseguisse transcrever a “voz” para a Mão Direita e soubesse encaixar os acordes, eu não voltaria mais às aulas – que fique bem claro: por se tratar de um curso do tipo “Popular” – o professor não busca aprimorar a teoria musical, e sim, fazer com que o aluno toque música, da maneira mais simples possível, no menor tempo decorrido. É o intento das cifras – elas são simples e eficientes, por isso invadiram o mundo musical universalmente com tanta força. Você acaba aprimorando técnicas – arpejos, dedilhados, pestanas, agilidade nas mãos, etc.... mas o conhecimento teórico fica completamente estagnado!!!
E você – se você quizer “tirar” (transcrever) uma música que ouviu, seja por cifras, seja por TAB?
Vamos ver e rever neste artigo vários conceitos, que serão complementados e acrescidos nos próximos. Este talvez tenha sido o mais complicado para mim escrever, por se tratar de um assunto muito pedido, e infelizmente, muito pouco abordado através da WEB – tentei ser o mais claro possível, mas o próprio contexto é complexo. Meu e-mail está aberto às dúvidas, que responderei na medida do possível, OK?
Recebo infinitos e-mail perguntando como tirar músicas, como achar o Tom delas, o que é o Tom e como reconhecer o Tom tocando ou lendo partituras/cifras/TAB.
Quando falamos em TOM, temos que entender o seguinte: existe uma nota, a TÔNICA, que “rege” tudo o que fazemos durante aquela música. Os solos, o clima, os acordes, tudo gira em torno do TOM dado por esta nota tônica. Por isso é tão importante saber qual o Tom – daí podemos começar com mais facilidade o trabalho de compor ou tirar uma música.
Voltemos um pouco na História: quando os mestres da música sentaram-se num boteco para tomar umas e formular padrões a serem seguidos, tiveram que definir certas regras, ou tudo viraria uma bagunça. A música “escrita” era como uma ciência: para que fosse difundida através de um pedaço de papel (afinal, não existiam na época aparelhos que gravassem e reproduzissem a música, logo, para ouví-la, você teria de tocá-la através de um pedaço de papel...). Daí nasceu a Teoria Musical.
Obviamente, não estaremos utilizando sempre C (dó maior) em todas as músicas; logo, teremos que enfrentar alguns acidentes (sustenidos – # e bemóis – b)  lembram-se que somente a escala de C (dó maior) é isenta de acidentes?
Portanto, quando estamos escrevendo música em um pentagrama (ou pauta), temos que seguir uma regra pré-estabelecida pelos nossos amigos do boteco lá de cima, que definiram uma ordem para que estes sinais fossem inseridos: eles ficam ao lado da clave (que é o símbolo que define uma nota chave na pauta – sol, fá, dó...), numa seqüência estratégica. A regra é a seguinte:
Os sustenidos são : F – C – G – D – A – E – B (os gringos decoram assim: Fat Charlie Gets Drunk After Every Beer – “Charlie gordo fica bêbado depois de qualquer cerveja”...)
Os bemóis são: B – E – A – D – G – C – F (exatamente o contrário da sequência de sustenidos)
Decorando isto, você pode montar uma tabela que define o número de acidentes representados em cada escala. Comece pelo C, que é 0 (zero) nos dois casos, já que não tem acidentes. Olhe como fica:

sustenidos:
0 - 1 - 2 - 3 – 4 - 5 - 6 -- 7
C - G - D - A - E - B - F# - C#

bemóis:
0 - 1 - 2 --- 3 - 4 -- 5 -- 6 -- 7
C - F - Bb - Eb - Ab - Db - Gb - Cb

Analisando isto, teremos, por exemplo, usando a escala de A, 3 sustenidos. (confira na tabela de sustenidos). Não acredita? Verifiquemos na escala:

A – B – C# – D – E – F# – G# – A

Viu? Estão os 3 aí: C#, F# e G#. (Se você não entendeu como formamos a escala, relembre o artigo!)
Vamos tentar a de E? São 4 sustenidos:

E – F# – G# – A – B – C# – D# – E

Estão todos presentes! São: F#, G#, C#, D#. Sei que tem gente perguntando como é que eu sabia onde colocar as escalas de F# e C# e onde colocar as escalas naturais de F e C. Aliás, deve ter gente perguntando porque algumas escalas são naturais, outras sustenidas e outras bemóis. Vou explicar tudo com um exemplo.
Vejamos a escala de fá maior (F):

F – G – A – A# – C – D – E – F

Notaram que teríamos dois lá: A e A#? No pentagrama só existe uma linha (ou espaço) para o A. Então foi estipulado que a escala de F seria representada por bemóis (b) ao lado da clave. Então a escala de F ficou assim:

F – G – A – Bb – C – D – E – F

Confira na regra lá em cima: F = 1 bemol (que é o Bb). Quem ficou representada pelos sustenidos foi a escala de F#:

F# – G# – A# – B – C# – D# – F – F#

Êpa!!! Mas também ficou com 2 Fá: F e F#!!!! E agora? Agora vem a “manha”: o F é representado no pentagrama pelo E#! A escala ficaria assim:

F# – G# – A# – B – C# – D# – E# – F#

Vamos conferir: escala de F# = 6 sustenidos!!! (os caras eram bons, hein?) O mesmo ocorre com a de C#:

C# – D# – F – F# – G# – A# – B# – C#

(E#) e (B#): Embora não se escreva E# e B#, como notação em pentagrama é utilizado, justamente para evitar um monte de sinais no meio da pauta e para facilitar o músico na identificação da escala escolhida para compor a peça.
Na prática, é só contar os símbolos na pauta para saber qual a escala utilizada. Exemplos: pentagrama com 3 # ao lado da clave: escala de A pentagrama com 2 b ao lado da clave: escala de Bb.
Mesmo sendo muito simples, é determinada a ESCALA utilizada, e não TOM. Para determinar o Tom, teríamos que analisar as notas da maneira como são utilizadas, com que acordes, se menor ou maior, além de outros conceitos que analisaremos no futuro (como MODOS, por exemplo).
Se você está me xingando neste momento, já que tudo o que vimos em nossos artigos NUNCA foi baseado em pentagramas, acalme-se... Gosto do estilo Mister “M”: mostrar de onde vieram as coisas... Além disso, alguns artigos atrás eu fiz uma piadinha acerca de sustenidos e bemóis, dizendo que a invenção de 2 nomes para a mesma coisa era pura sacanagem – mas tudo tem uma explicação bem lógica: seria impossível representar músicas em pentagramas sem a utilização dos 2, OK?
Esquecendo as pautas, com TAB's e cifras a coisa muda um pouco. Vamos lembrar que sabendo qual o Tom será infinitamente mais fácil determinar os acordes, além da tônica dos solos e improvisos.
Sabendo que os acordes derivam das escalas (já vimos isto antes), é fácil perceber que as notas da escala utilizada DEVEM estar contidos nos acordes. Logo, qualquer acorde formado pelas notas da escala soará incrivelmente agradável quando esta for utilizada.
Normalmente os acordes são formados através da harmonização em terças diatônicas. Vamos relembrar este tipo de harmonização (que fizemos em Dominando Acordes). A escala de C (dó maior) é C – D – E – F – G – A – B.
Começando por C, conte 2 notas para a direita. teremos E. Mais 2 para a direita. Teremos G. Reconhecem a nossa tríade (acorde de 3 notas)? É o C – E – G, ou dó maior (C). Não é por mera coincidência que ele é perfeitamente compatível com a escala de C...
Se fizermos isto com todas as notas da escala, teremos 7 tríades:

C – E – G = C (dó maior)
D – F – A = Dm (ré menor)
E – G – B = Em (mi menor)
F – A – C = F (fá maior)
G – B – D = G (sol maior)
A – C – E = Am (lá menor)
B – D – F = Bº (si diminuto)

Esta seria a “família” de acordes de 3 notas (ou tríades) compatíveis com a escala de C, ou seja, estes acordes pertencem a um “CAMPO HARMÔNICO” no TOM de C (dó maior). Quando utilizada uma escala de C, ou composta uma melodia neste TOM, utilizando combinações destes acordes pertencentes ao Campo Harmônico, o resultado será com certeza agradável aos ouvidos.
Pode-se ainda harmonizar desta mesma forma, utilizando as mesmas notas da escala, acordes com 4 notas, gerando acordes mais ricos e sofisticados; indo mais longe, podemos chegar aos acordes de 5 e 6 notas, que embora não tão usuais, são de grande valia para composições ecléticas e originais.
Abaixo temos uma tabela com as 3 famílias de acordes (3, 4, 5 notas) derivadas da escala de C maior, determinando um vasto campo harmônico (do lado direito, as notas que formam cada acorde).
Gostaram? Só com estas 3 “famílias” já temos 21 acordes que se encaixam perfeitamente no Tom da escala original, que é C (dó maior).
Antes de prosseguir, vamos recapitular tudo:
1.) O TOM representa a ESCALA utilizada na composição;
2.) Os ACORDES derivam da ESCALA escolhida;
3.) Os ACORDES são formados pela HARMONIZAÇÃO da ESCALA (no nosso exemplo, em TERÇAS DIATÔNICAS);
4.) Os ACORDES RESULTANTES formam o CAMPO HARMÔNICO do TOM escolhido.
Tudo entendido, vamos prosseguir. Tá bom, mas o que vamos fazer com este monte de acordes? Teremos que compreender um novo conceito: PROGRESSÃO HARMÔNICA. Progressão Harmônica é uma sequência de acordes harmonizados, ou seja, um trecho de qualquer música é uma progressão harmônica.
A música “Ainda é Cedo”, do Legião Urbana, regravada por Marina Lima, é baseada inteirinha em uma só progressão de 3 acordes: Am – Dm – C. Toque esta progressão e você notará que os acordes Dm – C criam uma “tensão” que é “relaxada” quando chegamos ao acorde de Am. Este “clima” é a arma que os músicos tem para quebrar a monotonia da música – as progressões tem características próprias, dependendo de como o compositor as utiliza. Vamos analisar os acordes do nosso campo harmônico de C (dó maior) e construir algumas progressões (você certamente reconhecerá algumas – de músicas muito familiares...)

[1] C – F – G7 – C
[2] C – F – C – G7 – F – C
[3] C – Am – F – G7 – C
[4] C – Am – Em – Am – Dm – G – C
[5] Dm – G7 – Cmaj7 – Fmaj7 – Bm7b5 – G7 – C

Tente tocar as progressões acima – tudo se encaixa perfeitamente? Não é sorte ou coincidência... Levando em consideração que uma música ou trecho musical normalmente começa ou termina no tom dominante, se você for compor é só escolher o tom e sair encaixando os acordes, tirados de dentro do Campo Harmônico, e formar uma Progressão Harmônica. Para “tirar” uma música, verifique a nota inicial/final da maior parte dos trechos (primeiros versos, versos finais ou refrão) e na maioria das vezes (99%) todos os acordes pertencerão àquele campo harmônico – geralmente usando as mesmas progressões que estudamos.
É claro que para isto você deverá analisar o Campo Harmônico no tom da música, ou seja, em todas as escalas – e para isto, você deverá montar os Campos Harmônicos para todas elas. Comece montando para as 7 maiores – lembre-se que você poderá usar os acordes para o Tom Menor relativo (lembram-se que a relativa de C é Am? Se as notas das 2 escalas são as mesmas, os acordes serão os mesmos para os dois campos Harmônicos – só muda a ordem dos acordes nas progressões!)
Voltemos às progressões – analisando as 5 acima, notaremos:
[1] e [2] usam somente 3 acordes: C – F – G7. De fato, é incrível como existem tantas músicas, tradicionais e contemporâneas, que utilizam este tipo de progressão (seja em C ou em qualquer outro tom). Esta progressão é chamada I – IV – V, porque usa estes graus da escala.
[3] e [4] tem um “sabor” mais “down” por usarem acordes menores – Am, Dm e Em. Estas duas progressões aparecem frequentemente em várias músicas, e principalmente a [3] é muito utilizada no rock desde os anos 60 até os dias atuais. É conhecida como “turnaround” (ou retorno) porque soa como uma tensão indo e vindo.
A [5] é a mais rica harmonicamente, criando um som interessante pelo uso de acordes com 4 notas. O som sofisticado obtido é uma das vantagens destas progressões, muito utilizada em jazz. Note que embora a frase não comece pela tônica (C), ela aparece para “fechar” a progressão em seu final.
Outro exemplo de progressão simples muitíssimo usada é a I – III – V (note que são os acordes correspondentes às notas formadoras da tríade maior de C = C – E – G). Milhares de músicas utilizam esta progressão (e suas correspondentes em outros tons).
As progressões dentro de um Campo Harmônico são a base para transcrever/compor músicas, devido às suas propriedades derivadas das seqüências de acordes. Devemos ter em mente, entretanto, que a música é uma arte, e não existem regras fixas para fazer arte – existem padrões teóricos, que podem, e devem ser quebrados. Assim como tocar notas fora de uma escala numa melodia, é permitido utilizar acordes fora do campo harmônico numa composição, desde que seus ouvidos julguem a progressão agradável.
Vários músicos inovadores e excelentes freqüentemente fogem dos padrões da teoria musical, e acrescentam muito a este contexto, com resultados incrivelmente satisfatórios. Se você quiser partir para um novo campo, tudo bem, mas primeiro saiba onde está pisando, e só depois escolha caminhos alternativos.
Vamos aumentar nossos conhecimentos?
Vimos o campo harmônico e as progressões para o acorde de C (dó maior), que pode ser aplicado a todas as escalas maiores e suas menores relativas (no caso de C, Am). Outros campos harmônicos podem ser obtidos da mesma forma sobre outras escalas. Veremos abaixo as Escalas menores de C: Cm, Cm Melódico e Cm Harmônico.
Lembra-se como construir uma escala Menor? Tom – semitom – tom – tom – semitom – tom – tom.
No nosso caso, Cm, seria: C – D – Eb – F – G – Ab – Bb – C
Vejamos o Campo Harmônico:

Algumas progressões muito interessantes podem ser construídas:

[1] Cm – Fm – Bb7 – Cm
[2] Cm – Cm7 – Ab – Gm7 – Cm
[3] Cm – Fm – Gm7 – Cm
[4] Cm – Fm7 – Dm7b5 – Ab – Gm7 – Gm
[5] Cm – Eb – Cm – Gm7 – Fm7 – Dm7b5 – Gm7 – Cm

As Escalas Menores Melódicas são idênticas às Maiores, trocando-se somente o III grau (no caso de C, seria E) pelo IIIb (Eb). Ficaria assim: C – D – Eb – F – G – A – B – C.
Veja o Campo Harmônico pronto: (harmonizado em 3.ªs Diatônicas)

Esta escala tem progressões menos comuns (na verdade, ela é mais utilizada para solos). Mas podemos formar algumas:

[1] Cm – F – G – Cm
[2] Cm – Cm(maj7) – Dm7 – G7 – Cm

As Escalas Menores Harmônicas são idênticas às Menores Melódicas, trocando-se somente o VI grau (no caso de C, seria A) pelo VIb (Ab). Ficaria assim: C – D – Eb – F – G – Ab – B – C.
Veja o Campo Harmônico pronto: (harmonizado em 3.ªs Diatônicas)

Podemos montar várias progressões sobre o Campo Harmônico de Cm Harmônico – e elas são muito úteis (e muito conhecidas!):

[1] Cm – Fm – G – Cm
[2] Cm – G – Fm – G – Fm – G – Cm
[3] Cm – Fm7 – Bdim – Cm – G – Fm – Cm
[4] Cm – Ab – G7 – Cm – Dm7b5 – G7b9 – Cm

Acredito que deu pra ter uma idéia bem estruturada dos conceitos – mas lembre-se: tudo o que vimos é como um mapa rodoviário – que leva você de cidade em cidade; para andar DENTRO das cidades, que seriam as músicas, você vai ter que usar outros artifícios: seu ouvido, muita prática e a capacidade humana de inovar!


12.1) Guia de construção do Campo Harmônico passo-a-passo

Para você que é iniciante, ou achou a coisa muito complicada, ou é preguiçoso mesmo (!?!?), aí vai um guia bem explicadinho desde a escolha da escala até nomear os acordes encontrados. Se depois disso você não entender, volte ao artigo 1.) e comece tudo de novo!!!!!!!
Este procedimento deverá ser feito para as 12 ESCALAS (é isso mesmo – mão na massa!) A, Bb, B, C, C#, D, Eb, E, F, F#, G, G#.

1.º passo) Copie e imprima (de preferência aumente um pouco a fonte) esta tabelinha de campo harmônico abaixo:

2.º passo) escolha o TOM do campo harmônico e preencha o título: vou escolher a de C (dó maior) para poder explicar como montei a do artigo (assim você poderá acompanhar meu raciocínio olhando na tabela já pronta);

3.º passo) construa a ESCALA correspondente ao TOM: (estaremos trabalhando primeiro com as 12 acima – todas são MAIORES – caso tenha dúvidas em construção de escalas, volte ao artigo e dê uma lida!); a escala MAIOR é formada a partir da Tônica desta forma: tom – tom – semitom – tom – tom – tom – semitom: C – D – E – F – G – A – B – C.

4.º passo) escreva na tabela (coluna de notas), de cima para baixo, as notas da escala;

5.º passo) Vamos começar a harmonizar as notas em acordes de 3, 4 e 5 notas (você Pode ir até 6, se quiser): para achar o primeiro acorde da linha do C, começamos pela tônica (C) contamos 2 à direita (E) e mais 2 à direita (G). Encontramos C – E – G. Vamos até as colunas mais à direita de nossa Tabela, e anotamos o acorde de 3 notas harmonizado a partir de C. Não se preocupe com o nome dele ainda. Para harmonizar o de 4 notas, é o mesmo procedimento, só que adicionamos mais um “pulo”: C – E – G e mais 2 à direita (B). Teremos então o acorde formado por C – E – G – B. E com mais um pulo (D), teremos o de 5 notas: C – E – G – B – D. Fácil, não? Faça isto com cada uma das notas, e vá anotando na Tabela.

6.º passo) identificação e nomeação dos acordes. Talvez essa seja a parte mais chata da coisa toda... Existem tantas técnicas e tantas maneiras (certas e erradas) encontradas em revistas, TABS, na WEB, que às vezes você acaba decorando 3 ou mais nomes para o mesmo acorde...
Vou tentar ser bem claro (e não se assuste com os nomes encontrados; mesmo que você conheça o acorde por outro nome, esta nomenclatura é bem fácil de entender, e não deixa dúvidas sobre quais as notas utilizadas).
Para “batizar” os acordes, precisaremos relembrar uma Tabela de Intervalos, que já vimos em “Dominando Acordes” – para facilitar, vou colocá-la de novo aqui, com uma coluna em branco do lado para você poder utilizar com outras notas.

TABELA DE INTERVALOS:

Vamos começar com C – E – G:

C – é a Tônica, que dá a letra do acorde = C
E – é a terça, que define o acorde como Maior ou menor; no caso, como é maior, não se acrescenta nada ao nome (se fosse menor, adicionaríamos um “m” após a letra da tônica).
G – é a 5.ª perfeita, que define o acorde como o acorde natural de C maior (lembra-se que o acorde Maior é formado de Tônica, 3.ª Maior e 5.ª perfeita?). Então o nosso acorde é simplesmente C (dó maior);

O segundo tem uma nota a mais C – E – G – B:

B – é a 7.ª Maior. Temos que colocar um 7 aí no acorde, mas existem vários acordes com 7.ª.... então aprenderemos uma regra:

3.ª Menor (+) 7.ª menor = X m7
3.ª menor (+) 7.ª Maior = X m(maj7)
3.ª Maior (+) 7.ª menor = X 7
3.ª Maior (+) 7.ª Maior = X maj7 (onde “X” é a Tônica)

Logo, o nosso acorde C – E – G – B, como tem a 3.ª Maior e a 7.ª também, vai se chamar Cmaj7.

O último acorde com tônica C, de 5 notas, é C – E – G – B – D:

D – é a 2.ª Maior, certo? Mas como já demos a volta na escala, esta nota está uma oitava acima; logo, ela é a 9.ª Maior. Teríamos então um acorde Cmaj7maj9 – mas como todos os acordes com 9.ª incluem a 7.ª, não temos necessidade de escrever a 7.ª Fica, então: Cmaj9.

ATENÇÃO:

– Os acordes com 9.a devem basear-se, para nomenclatura, na 9.ª Maior!
– Quando existir 7.a (maior ou menor) e a 9.a for maior, simplesmente substituimos o 7 por 9 no nome.
Ex.: G7 --> G9; Dm7 --> Dm9; Cmaj7 --> Cmaj9 (todas as 9.ªs São Maiores!).
– Quando a 9.a for menor, usa-se “b9” (ou seja, a 9.ª Maior 1 intervalo abaixo), ao final do nome, sem tirar a nomenclatura da 7.ª.
Ex.: Em7 --> Em7b9; G7 --> G7b9.
– O mesmo ocorre quando a 5.ª nota obtida no acorde corresponder à 3.ª menor uma oitava acima: usa-se #9 (ou a 9.ª Maior 1 intervalo acima).
Ex.: Abmaj7 --> Abmaj7#9.

OBS.: O mesmo procedimento é tomado em relação à 5.ª – usa-se #5 e b5 ao final do nome para representar notas 1 intervalo acima ou abaixo da 5.ª perfeita – COM EXCEÇÃO dos acordes onde a 5.ª e a 7.ª são diminutas; neste caso o acorde é acrescido de “dim” ao seu final.
Ex.: Um Bm com a 5.ª diminuta é um Bmb5;
Ex.: Um Bm com a 7.ª menor e a 5a. diminuta é um Bm7b5;
Ex.: Um Bm com a 5.ª e a 7.ª diminutas é um Bdim.

OBS2.: algumas publicações escrevem:
5+ ou 5aug ao invés de #5;
5– ou 5dim ao invés de b5; (o mesmo para as 9.ªs)
Não gosto muito do sistema por confundir (+) com (add) ou (maj), e por confundir (-) com (sus) ou (m). Fica como registro...

Estou escutando risadas de alegria????? É muito fácil!

Pulemos para uma diferente: vamos fazer a harmonização de E.
O primeiro acorde achado é E – G – B.
E – é a tônica, Mi. Nosso nome por enquanto é E.
G – é a 3.ª menor (monte a tabela de intervalos para E e confira!) – Nosso acorde virou Em.
B – é a 5.ª perfeita, formadora dos acordes menores. Nosso acorde é Em.

O segundo acorde acrescenta o D: E – G – B – D.

D – olhe novamente a Tabela de intervalos: B é a 7.ª menor. Se temos também a 3.ª menor, conforme a regra acima o acorde chamar-se-á Em7.

E o último acorde, E – G – B – D – F:
F – na nossa tabela de acordes, corresponde à 9.ª menor. Como vimos acima, chamamos a 9.ª menor de “b9”. E como ela é menor, não tiramos a nomenclatura da 7.ª Logo, teremos Em7b9.
Sua tabela deve estar assim, com as linhas de C e E completas:

Vou fazer mais uma linha: a de B (si)

O primeiro acorde é B – D – F.

B – é a tônica = B
D – 3.ª menor = Bm
F – 5.ª diminuta. Como nomeamos dim somente o acorde com 5.ª e 7.ª diminutas, e não incluímos a 7.ª neste caso, temos que considerar a 5.ª diminuta como a 5.ª Maior 1 intervalo abaixo (vimos isto lá em cima!). Logo, acrescentaremos ao final do nome “b5”. Nosso acorde é Bmb5.

O segundo é B – D – F – A.

A – é a 7.ª menor. Como já temos a 3.ª menor, o acorde é Bm7b5.

O terceiro, B – D – F – A – C.

C – é a 9.ª menor. Seguindo nossa regra das 9.ªs, a 9.ª menor é considerada como 9.ª Maior 1 intervalo abaixo, ou seja, “b9”. Então chamaremos nosso acorde de Bm7b5b9.
Embora os acordes tenham nomes “escabrosos”, na realidade a nomenclatura é simples, se vemos desta forma: sabemos quais as notas e porque elas fazem parte do acorde. Um Bm7b5b9 é, simplesmente, um Si menor com 7.ª (que sabemos fazer de cor) mas com a 5.ª e a 9.ª bemóis. Isto significa que teremos que colocar o dedo da 5.ª e da 9.ª uma casa para trás.
Pô, só isto? Eu sei que alguns dirão que o acorde fica meio complicado de fazer – mas aí eu dou uma dica: se você souber quais os acordes que formam o campo harmônico, e achar difícil fazer um acorde com 5 notas, faça o de 4 notas: ele soará muito bem no contexto da música. É claro que a harmonia vai empobrecer, pela diminuição da quantidade de notas, mas você nunca notou que quando vai ler certos TABs e cifras, em revistas ou na WEB, mesmo que a música fique parecida não sai igual à gravação, ou ainda, diferente do jeito que o músico toca quando você vê o vídeo ou o show? É porque, embora os acordes estejam dentro do campo harmônico, e no tom original da música, eles foram SIMPLIFICADOS para facilitar a execução (ou o cara que tirou era ruim, mesmo...). E se você achar difícil fazer o acorde de 4 notas, transcreva para 3. Agora, se você não conseguir fazer o de 3 notas, VÁ TOCAR CHOCALHO, que só tem UMA nota...

7.º passo (e último...UFA!): Montar progressões harmoniosas ao seu ouvido, e anotá-las para referência. As mais comuns são (os números correspondem aos Graus da escala):

I – III – V
I – IV – V
I – VI – IV – V (turnaround)

Você pode construir várias outras; tente começar com a tônica, “sentir” que forma-se uma tensão e então quebrá-la, voltando ao tom inicial. Use primeiro os acordes de 3 notas, depois substitua alguns por seus correspondentes de 4 ou 5 notas, para enriquecer sua composição. Para tirar uma música, faça o contrário: encontre o tom, e então use os acordes de 3 notas para encaixar na música. Depois, substitua pelos de 4 ou 5 notas até ficar bem parecido com o original.
Ah... tava esquecendo! Uma boa notícia: lembram que as Escalas Menores derivam das Maiores a partir do VI grau? Então como as notas usadas nas duas são as mesmas, nos mesmos intervalos, os acordes também são os mesmos. Isto quer dizer que, se nós fizemos o Campo Harmônico de C (dó maior), os acordes são os mesmos do Campo Harmônico de Am (lá menor). É só montar outra tabelinha, colocar as notas na seqüência correta (a partir da tônica) e copiar os acordes. Ou seja, fazendo as 12 maiores, você já tem as 12 menores quase prontas: é só copiar no lugar certo.
Outra dica: as Escalas menores Harmônica e Melódica só tem poucas notas diferentes. Outra barbada: com o campo harmônico Menor Natural pronto, vai ser “bico” montar os Campos Harmônicos das outras escalas menores. Já são 48 campos harmônicos – dá pra começar a brincar!!!!!
Espero que vocês possam tirar o máximo de proveito deste artigo – garanto a vocês, é o mais completo da WEB sobre o tema (deu o maior trabalho!!!).

Baseado em:
Jimmy Hudson – jimmy@guitarsrule.com
Mike Livengood – lvengood@gene.com
Publicado no site “A Casa das Cifras” (http://www.casa.cifras.nom.br), em 14/01/2.000.

Pra ver tocar...

Pra ver tocar...

terça-feira, 24 de março de 2009

Blog do Kiko Loureiro

Taí um blog massa:

http://kikoloureiro.guitarplayer.com.br/

Divirtam-se!

Entrevista: Herbert Vianna, Revista Guitar Player, maio de 1.998

O Brasil possui grandes guitarristas, todo mundo sabe. Não é a toa que temos inumeros musicos em nossas paginas. Porem, é pouco provável que alguém tenha o mesmo carisma e respeito do lider dos Paralamas do Sucesso. Um guitarrista de acordes cem articulados e timbre inconfundível. O homem de frente de uma das mais importantes bandas do rock nacional. Mais que isso, um apaixonado como poucos pela guitarra. Com voces, Herbert Vianna.

Guitar Player: Ouvindo hei na na, parece que a banda esta cada vez mais madura. Você saiu do estúdio satisfeito?
Herbert Vianna: cara, a gente saiu muito satisfeito. com o passar do tempo, nos fomos chegando a conclusao de que o estudio nao e o ambiente ideal para voce fazer musica. O estudio e um lugar com taximetro rodando, um lical onde as pessoas noa estao necessariamente envolvidas. E hey na na foi uma grande conquista. Trabalhamos com o produtor chico neves e com computadores, o que ajuda muito na praticidade. Gravamos tudo em Pro Tools, nem a mesa usamos. A gente gravava e ia trabalhar depois nos sons. Entao, o chico se tornou um integrante da banda, alem de produtor. nao tinha aquela coisa de dar problema no cabo, nao sei quem foi tomar café, ta com dor de barriga ... Nao houve nada disso, eramos nos, o chico e a musica. nossa vontade de experimentar novs ideias e o tempo pra ver se elas funcionavam eram possiveis devido a rapidez do processo. em geral, somos rapidos em estudio, nunca ficamos muito tempo, exceto em Severino, que noa foi por culpa nossa e sim do produtor.

GP: o disco tem bastante guitarra, mas com som brasileiro. isso tem a ver com trabalhar com produtor Ingles ou Brasileiro, caso de Severino??
HV: Nao, curiosamente Severino e um dos discos mais brasileiros da gente. acho que isso nao e regra. na verdade, depende da safra de composiçoes que vc tenha pra trabalhar. Entao no caso de hey na na , as musicas a um tipo de instrumentação. tem essa coisa da guitarra tb, mais isso e uma coisa deliberada, ha um certo tempo deixei de usar o teclado em casa. tive um encantamento inicial com computador, com essas coisas, e eu passava quase todo o meu tempo trabalhando nisso. Ate que , ha uns tres anos, na final da turne do disco VAmo Bate LAta, a GIBSON ( marca de guitarra) fez a proposta de um patrocinio, e me deram uma Les Paul *(modelo da guitarra). Esse modelo tem um poder sobre a minha pessoa que e uma coisa dificil de descrever. para vc ter uma ideia, quando eu era moleque e nao tinha guitarra ainda, meu irmao me deu uma pagina do Jornal MELODY MAKER com um anuncio da GIBSON com varios modelos. eu dormia com aquilo em baixo do meu travesseiro. Meu heroi em Brasilia, era um cara chamado Eduardo Watson, um guitarrista maravilhoso que tinha uma GIBSON, entao esse nome era muito poderoso para mim. Quando os caras me deram GIBSON LES PAUL e comecei a tocar de novo, parece que tive um flash back da minha infancia, da minha adolescencia, da epoca em que eu comecei a tocar guitarra. voltei a tocar guitarra, comecei a comprar ampilificadores diferentes, experimentar coisas novas e investir mais tempo e paciencia em rpocurar um bom som. Voletei a praticar, tive acesso ao CUSTON SHOP DA GIBSON, que tem alguns modelos extraordinarios de guitarra, e tenho acesso pra experimentar tudo. GP: e isso interferiu na sonoridade do disco? HV: esse ano decidi tocar mais guitarrae queria que o disco tivesse uma presença forte dela. as 2 musicas que abrem hey na na deixam claro que ha guitarra. estamos começanco a turne e estou escolhendo guitarras diferentes para as musicas. antes, levava tres guitarras iguais e tocava o show inteiro com uma, a nao ser que a corda quebrasse, o que acontece muito, porque tenho a mao bem pesada. Agora esta sendo um sonho.

GP: voce vai usar uma guitarra para cada musica?
HV: nao necessariamente. uso uma GIBSON CHET ATKINS na maioria das musicas. Preciso de um som limpo e alto. isso explica porque nunca gostei dos MARSHALLS (marca de amplificadores). E a ATIKINS tem coisas que adoro: o balanço, o peso, o fato de ser semi-acustica; ela tem um volume geral na frente, no corte da guitarra, como as GRETSCH (TB MARCA DE GUITARRA). Em teoria, e uma guitarra country, mas funciona maravilhosamente bem pra mim.

GP: Quais outros modelos vc pretende usar?
HV: Uma GIBSON LES PAUL, nas musicas que tenham solos, que exigem mais peso e volume com distorção, e uma B B KING LUCILLE para tocar Caleidoscopio. Depois que toquei nela, dsescobri porque é a guitarra do Blues. parece um gato ronronado, tem um braço maravilhoso para tocar. A musica Um Amor, Um Lugar, tem uma finação especial, a DADGAD, do JIMMY PAGE, que uso bastante nos violoes. Nela especificamente, uso um capotraste no quinto traste. entao, preciso de uma guitarra so pra essa musica, que é uma EPIPHONE SORRENTO azul, linda, otima de tocar. Apareço com ela no clip de Bela Luna. GP: e pra gravar hey na na, que outros instrumentos usou? HB: usei uma variedade de GIBSONS, EPIPHONES e reedições da STRATOCASTER 57 e da TELECASTER 52. tudo em aplificadores pequenos. peguei uma tara por amplis pequeno, de baixa potencia, bem microfonado. GP: desde quando vc tem essa preferencia: HV: outro dia estava conversando com o Frejat e com o Wander Taffo sobre icrofonação de guitarra e o Wander acredita muito num microfone SHURE SM57 colado no falante. meu set up melhorou bastante a partir daquele dia. qudno gravamos hey na na , colocamos um Fender pro Junior de 15 watts embaixo de uma mesa de madeira. E um amp muito flexivel, otimo para passagens limpas e para solos. usei tambem um AC15 da VOX igualmente bom para sons limpos e que tem um tremolo maravilhoso, um verdadeiro privilegio. Microfonamos com um NEUMANN antigo, tipo 47, a uns 60 cm do aplificador e outro microfone, o chico tem uns sovieticos valvulados atras da mesa, proximo do chao. ali era gerada uma zona de graves e entre esses dois microfones, a gente trabalhava os timbres. sao os melhores sons de guitarra que ja tive.

GP: Todos os sons foram gravados com esses microfones?
HV: Nao. o chico neves comprou o Microfone DUMMY HEAD, da NEUMANN, que tem o formato da cabeça humana, com dois microfones dentro das orelhas. Um microfone normal na boca do falante nao "ouve" o mesmo que vc, nao capta a mesma ambiencia, na esta na mesma posição e angulo. O DUMMY reproduz melhor o modo como ouvimos.

GP: vc usou algum efeito na gravação?
HV: Somente o VOODOO VIBE DA ROGER MAYER. era do chico neves, gostei tanto que comprei um pra mim .

GP: é o mesmo que HENDRIX usava?
HV: Exato. Alguns pedais que ele usava foram relançados, como o OCTAVE, O FUZZ FACE, e um deles é o VOODOO VIBE, que é um voibrato, chorus e trêmolo. usei muito o tremolo dele.

GP: em que momento vc optava entre FENDER E GIBSON?
HV: Experimentava as guitarras. no final do ano, dei para o chico neves uma EPIPHONE CASINO, UMA 335 extremamente bem feita. na ultima hora, surgiu a ideia de gravar a musica do CHARLY GARCIA e o chico sugeriu essa guitarra.. Gravei com a CASINO e chapei. Nunca tinha experimentado no estudio. E uma guitarra maravilhosa. levei varias guitarras no estudio, incluindo uma ES 125 de 1957 com dois captadores P90. Ela nao tem Cutaway, e seu formato é de violão.

GP: Vcs gravaram junto ou em separado?
HV: Nesse disco, pela primeira vez, gravamos a bateria por ultimo. E uma boa punição para um baterista, por que ele ve o angulo dos outros musicos que sempre tem de se adaptar a bateria. Deve ser uma descoberta interessante. No geral, a primeira coisa que gravamos foram o violão e voz com algum loop como guia. acabamos deixando alguns loops no formato final dasa musicas.

GP: Como vcs escolhem as musicas que vao entrar nos discos?
HV: vemos as que funcionam melhor. Para esse disco nos preparamos bastante, fomo para o estudio com 18 canções. ha musicas de que gosto muito e que ficaram de fora. Eventualmente mando essas musicas para outras pessoas gravarem.

GP: Pode citar algum caso?
HV: mandei uma para o DJAVAN. E uma das minhas favoritas, mas nao consigui cantar porque tenho limitações vocais. Gosto tanto dela que acho que merece ser bem cantada.

GP: Por Sempre Andar lembra Blues antigo. Como foi feita?
HV: a ideia dessa musica nasceu de um riff de guitarra, uma STRATO 57 ligada no FENDER PRO JUNIOR, sem efeitos. E uma coisa bastante simples e facil, mas que funciona bem. tenho varias ideias de riffs na manga pra desenvolver.

GP: Houve algum truque para passar o sinal da guitarra, botanto o amplificador em outro ambiente por exemplo?
HV: Onde mixamos havia uma sala de pedra maravilhosa e trabalhamos ali. Depois, o engenheiro lancou o sinal da guitarra num VOX AC 30. Ele microfonou de novo e tratou o som da guitarra. Fiquei tão impressionado com o resultado que encomendei uns amplificadores VOX para a proxima turne. No momento uso dois FENDER BLUES DE VILLE DE 60 WATTS, e dois falante de "12" cada. Uso o volume no Tres, abro o estereo e o som fica fabuloso. Nao sei se o VOX vai supera-los.

GP: A musica "Depois da Queda o Coice" tem uma pegada forte de guitarra, uns fraseados de blues.
HV: Isso vai parecer extranho para quem acompanha Os Paralamas, mas quando eu comecei, tudo o que eu queria era tocar Blues como os guitarristas de rock o faziam. Um dos meus favoritotos é um car chamado PAUL KOSSOF, que tocava no FREE. Amo esse cra tocando guitarra! Bem, nao preciso falar da Trindade, Clapton, Page e Beck. Acho que JEFF BECK é o melhor guitarrista que ja existiu. Adoro Jimi Hendriz tb, mas por outras razoes: a personalidade como compositor, a relação voz e guitarra ... Agora como solista, nunca houve ninguem como JEFF BECK. Depois que voltei a tocar guitarra com empenho, passo o dia inteiro tocando blues em casa. Um pequeno lampejo disso é Caleidoscopio, que tem uma linguagem de blues e deixa claro que este nao e um didoma estranho pra mim. Caleidoscopio e uma das musicas que mais espero no show, porque posso fazer um solo longo, lento ...

GP: Trem da Juventude tem acoredes de Bossa Nova e uma segunda cadencia pop ...
HV: É uma harmonia que vai progredindo.

GP: Vc a compos intuitivamente?
HV: quando morava me Brasilia, tive aulas durante um ano e meio com um cara chamado Alcione. era um violonista fabuloso, sabia muito de harmonia. Ele tinha um violão que nunca vi igual, um DEL VECCHIO com trastes inclinados. Quando vc fazia movimentos que exigem abrtura muito grande, como o traste era inclinado, dava um alcance maior. Aprendi todos os classicos da Bossa Nova. MAs depois comecei a tocar blues, harmonias e estruturas harmonicas mais simples.

GP: Mas existem composiçoes elaboradas na trajetoria do Paralamas?
HV: "Quase Um Segundo" é uma musica de acordes sofisticados. Outro exemplo de musica que harmonicamente é um pequeno trabalho de artesão é Nebulosa do Amor, do disco Big Bang. A´passagem da introdução de bossa nova de 3/4 para 2/4, e a sofisticação da harmonia sao coisas de quem teve oportunidade de estudar um puco de bossa.

GP: Voce toca bossa nova?
HV: so toco em casa, de onda. Nao sou um profundo conhecedor de teoria, nao sei nome de nehum acorde, nada. Mas intuitivamente sei alguns lances. Gosto de harmonizar "A Times Goes By" e outros classicos americanos. Adoro solar e harmonizar ao mesmo tempo.

GP: Fale um pouco sobre as afinações que usa.
HV: Comecei a usar a afinação DADGAD depois que tive a oportunidade de passar algumas horas com o Jimmii Page. levei minha GIBSON de dois Braços ´para ele assinare conversamos a tarde toda. usei uma afinação que inventei no disco SEVERINO, era, MI, LA, RE, MI, LA, MI, de baixo para cima, muito boa para tocar coisas arabes, meio nordestinas. Quando ele pegou a guitarra e começou a tocar me perguntou: O que é isso?, e anotou em um pedaço de papel. ele é louco por afinações alternativas, depois me mostrou coisas do DADGAD como tocava KASHMIR. A musica BRASLIA 5:31 é feita com com um violão de 12 cordas na DADGAD com capotraste preso na segunda casa. tenho uma outra que é em SOL Aberto, e recentemente o Lulu Santos me ensinou a do Keith Richards em 5 cordas. Estou fazendo algumas coisas nessa afinação.

GP: Em Brasilia 5:31 voce usa Slide e Ebow?
HV: Toco com slide, o ebow foi o Dado Villa- Lobos quem usou. Nunca me apliquei em usar slide e sei que quem oca bem slide usa afinações diferentes. Eu precisaria de muito treino para aprender a solar numa afinação diferente, então preferi a normal. Isso nem sempre e satisfatório, as vezes sobra um acorde, uma nota, principalmente para acordes menores.

GP: Você usa algum efeito naquela musica?
HV: Não. Coloquei a Chet Atkins direto num pré-amplificador valvulado muito antigo.Deu um som gordo, meio velado. Fiz algumas experiências assim, e as vezes dá um resultado surpreendente. A musica Speed racer, do primeiro do primeiro disco da Fernanda Abreu, que regravei no disco Santorini Blues, tem aquela guitarra com um osm bem diferente. E uma Telecaster com um compressor, ligada direta na mesa e com o TOM todo fechado.

GP:O disco tem varias participações de músicos de estilos bem variados: Dado Villa Lobos, Carlinhos Malta, Jorge Mautner, Marisa Monte. Existe algum critério na escolha desse pessoal?
HV: Nos ficamos ouvindo as musicas e algum nome vem a cabeça. Foi assim com Uma Brasileira, por exemplo. Dissemos: Ia ser lindo se o Djavan cantasse. A musica era a cara dele. Na faixa O Amor Não Sabe Esperar, do disco novo, a gente queria que o Tim Maia cantasse com a Marisa Monte. Chegamos a falar com ele quando o encontramos no aeroporto Santos Dumont (RJ). Ele disse [imitando o modo de Tim Maia falar] “ Preciso de seis canais: um pra voz principal, outro mais em baixo para os sussurros, outro para a oitavinha la em cima e três pro vocalzinho, maiorzinho, perfeito, la la l ala ...” Ficou horas falando sobre isso. Nos topamos. Ligamos pra ele varias vezes. E lógico, O Tim não pareceu (rsrs).

GP: da pra percebe que vocês ouvem de tudo e tem um conhecimento musical vasto.
HV: conhecimento a gente não tem e sim muita curiosidade e entusiasmo. Temos as nossa limitações e algumas coisas de que não gostamos.

GP: Por exemplo?
HV: A musica eletronia de pista. Nesse disco, fizemos alguns remixes e estamos na duvida sobre o que fazer com eles. Não gostamos de pegar uma musica e transformar num bate estaca. Fiz 37 anos, ouvi Led Zeppelin a vida inteira e pensava: “ Que legal. Os caras não lançarem singles do disco”. Não quero ser xiita com isso, single e bacana tb, mas no fundo da minha alma tem alguma coisa que não se adapta muito bem a essa idéia de baratear, fazer a musica soar igual a um monte de coisas que tocam na pista. Acho super bacana esse pessoal do MASSIVE ATTACK, mas em geral, não sou fã das transformações de musica que não são feitas com essa intenção para a pista. Fizemos remixes para ver como e que soa e alguns dubs. Mas musica eletrônicarealmente não e do meu gosto. Prefiro ouvir uma banda tocando.

GP: Como os arranjos dos Paralamas são feitos?
HV: Há um arranjo prévio. Começamos a trabalhar e vamos mudando ate chegar ao que a gente chama de formato orgânico, a maneira confortável de tocar.

GP: Você e um guitarrista que se estabeleceu como compositor. O que vc acha disso?
HV: Eddie Van Halen e um guitarrista fabuloso, porem gerou uma onda de guitarristas com a qual não consigo me relacionar. Virou uma corrida técnica sabe?
Gosto da simplicidade de um bom vibrato sabe, da melodia que a sua alma esta esperando, da nota que atinge em cheio. O Blues tem muito disso. Keith Richards não e grande tecnicamente. Mas se você pegar Yngwie Malmsteen, Satriani, Steve Vai, Frank Gambale, botar todos eles num saco, comprimir e tentar extrair algo, não vai ter nada que chegue aos pés da introdução de Honky Tonky Woman. E a idéia o que conta, a simplicidade. Se o cara tem uma boa idéia, ele e um pintor. A guitarra e um instrumento para vc colorir uma musica. Entendo que a molecada qdo esta começando queira tocar rápido e se espelhe naquilo, mas não tenho a menor atração por este tipo de approach.

GP: O que vc acha dos exercícios para desenvolver a composição?
HV: O Santana falou que isso não se aprende na escola. Você nas ce com isso ou não. Quando vc esta tocando, esta falando alguma coisa. No moneto em que existe uma separação entre sua cabeça e sua mão, não e você que esta tocando. Composição e a idéia, tem gente que tem boas idéias, originais, outras pessoas não terão nunca. E tem gente que tem boas idéias mas não exercita isso, não cuida do seu aparelho produtor de canções. Uma musica de sucesso e aquela que fala sobre algo que todo mundo sente e não consegue articular. Detalhes, do Roberto Carlos, por exemplo. Todo mundo que ouve sabe o que esta sendo dito: “Isto e exatamente o que eu gostaria de ter falado”. A capacidade de pegar isso é um privilegio que Deus da pra algumas pessoas. Não estou me colocando em uma posição especial , de maneira nenhuma. Não sou o Edgar Scandurra pra tocar, não sou o Renato Russo pra cantar e nem o Cazuza para compor. Arrumo um pouco daqui, um pouco dali. Estou trabalhando nisso há muito tempo. As idéias estão aí e se vc consegue captá-las deve cuidar da sua antena. Isso tem relação come estar exposto a coisas legais. No meu caso é ler muito, ouvir muita musica, ir ao cinema, andar na rua.

GP: Fale sobre sua paixão pela guitarra:
HV: Tenho fotografias minhas, usando chupeta e co um violãozinho de brinquedo. Qdo eu tinha cinco anos, meu pai me deu o primeiro violão, um Giannini. Aos 14 anos, ganhei minha rimeira guitarra, uma GIBSON L6S.

GP: Vc ainda tem essa guitarra?
HV: tenho, mas não e uma boa guitarra. É uma linha que a GIBSON tentou lançar mas não ndou pra frente. Nunca usei profissionalmente.

GP: Como esta sua coleção de guitarras?
HV: Esse e um dos maiores problemas que vou deixar para meus filhos. O que eles vão fazer com essas guitarras quando eu morrer? Pq é uma tara. Qdo eu era moleque, sonhava com guitarra, desenhava modelos em todos os cadernos. Assim que o Paralamas começou a ter algum sucesso e tive acesso a instrumentos legais .. ai foi um fim de mundo! Comecei a comprar, comprar, comprar guitarras e chegou um momento que não tinha onde colocá-las. Não podia usar ne cuidar de todas elas. Então adotei a política de que cada guitarra que eu comprasse, teria de dar uma.

GP: E como vc fez isso?
HV: O João Fera, nosso tecladista, é o meu olheiro musical e fica nos subúrbios do Rio, observando músicos que esta ralando na noite e não tem instrumento bom. Já tive a oprtunidade de dar instrumentos para pessoas ilustres. Por exemplo, para o Cidade Negra, o Ratos de Porão, O Rubinho, guitarrista do Programa Jô Soares Onze e Meia. Tenho muito prazer em fazer isso porque adoro o objeto guitarra.

GP: Chegaram varias cartas na redação pedindo ( rsrsrssr)
HV: No começo eu comprava qualquer coisa que aparecesse na frente. Depois fui ficano mais seletivo, principalmente após o acesso ao Custom Shop da GIBSON.

GP: E quantas vc tem?
HV: Cara, eu não saberia dizer. Guardo num misto de estúdio, deposito de guitarras e adega., o que não e uma combinação muito saudável ( rsrssr). Deixo tudo empilhado, e uma zona. Minha mulher não quer nem ver aquele lugar. Pretendo ter um lugar mais organizado para pendurar as guitarras

GP:Qual e a mais curiosa e a que vc mais gosta?
HV: tenho duas guitarras que usei muito. São Startocsaters da serie The Strat. Comprei pq o Lulu Santos e o Roberto do Recife tinham. Consegui duas desse modelo, uma azul metálica e outra de uma cor chamada Candy Maple Red. Ela está tão ralada, tão detonada, que o vermelho parece preto. Usei durante muito tempo e guardo como uma coisa especial.Tenho uma Gobson que e uma das mais difíceis de encontrar: a Les Paul reedição de 1959. Poucas unidades são feitas por ano, com um tipo de madeiras que ficam guardadas em depósitos especiais. A guitarra e um sonho.


GP: Voltando a sua técnica, vc tem uma pegada peculiar e com boa definição. Você faz exercícios?
HV: estudei muito no começo. Tenho um amigo que mora nos EUA, o Ney de Mello Matos, que e o cara mais técnico que conheço. Ele tem um violão de 38 trastes, e um monstro, tecnicamente nunca vi uma coisa similar. Durante uma época, ele me mandava exercícios. Eu so tocava violão, com cordas muito pesadas e palhetas de pedra. Fazia muitos exercícios de escala. Mas qdo ouvi as bandas Punks, O The Clash, The Specials, Madness, Police, nunca mais fiz exercícios. O que faço e tocar muito. Recentemente, o Wander Taffo me deu uns exercícios, ele me falou: Se vc fizer isso 15 minutos por dia, vai melhorar a sua mão direita. O Wander ama fazer exercício, o domínio técnico dele e incrível. Porem, isso realmente não funciona comigo. Ouça uma introdução como a de Start Me Up e falo: e isso que gosto de fazer. Quando estou numa loja de instrumentos e um molequinho toca os solos de Lanterna dos Afogados e Romance Ideal, me realizo. Não preciso mais do que isso.

Video Aula: Campo Harmônico

Citação: Frank Zappa

"A maioria das pessoas não reconheceria uma música boa se ela viesse e as mordesse na bunda."

Frank Zappa

Citação: Duane Allman

"Há muitas formas diferentes de comunicação, mas a música é, sem dúvida, a mais pura de todas. Não se pode ferir ninguém com ela. Você pode até ofender alguém com determinadas canções, mas para isto é necessário que algo seja dito - impossível um instrumental magoar alguém de alguma forma. Por isso eu digo: música é uma graça divina."

Duane Allman

Citação: Jimi Hendrix

"Eu tento usar a minha música como uma máquina para fazer estas pessoas agirem - para que façam mudanças"

Jimi Hendrix

Citação: Jimi Hendrix

"Minha filosofia pessoal é minha música. Nada menos que a música - vida - isso é tudo"

Jimi Hendrix

Citação: Jimi Hendrix

"Música me faz sentir o máximo no palco, e isto é verdade. É como ser um viciado em música."

Jimi Hendrix

Citação: Jimi Hendrix

"As vezes em que queimei minha guitarra foi como um sacrifício. Você sacrifica as coisas que você ama. Eu amo a minha guitarra."

Jimi Hendrix

Citação: Jimi Hendrix

"Você tem que esquecer o que as pessoas dizem, quando você possivelmente estiver para morrer ou quando você estiver amando. Você tem que esquecer todas essas coisas. Você tem que ir em frente e ser louco. A loucura é como o céu."

Jimi Hendrix

Citação: Jimi Hendrix

"Meu objetivo é ser o número 1 com a música. Eu dedico apenas toda a minha vida para esta arte"

Jimi Hendrix

Citação: Jimi Hendrix

Imaginação é a chave para as minhas letras. O resto é temperado com um pouco de ficção científica"

Jimi Hendrix

Video Aula - Sergio Cavalieri

Parte 1:



Parte 2:

Citação: Eddie Van Halen

Não vivo na fossa, portanto não toco blues. Até que sou um cara feliz.

Eddie Van Halen

Citação: Cazuza

Eu fico feliz quando penso que o homem difere dos bichos e das plantas porque pode amar sem reproduzir - embora o Papa não goste disso.

Cazuza

Citação

Um bom par de bermudas.

Angus Young, AC/DC, perguntado sobre o que definia um grande guitarrista.

Citação

Quando você toca um acorde, um monte de garotos no meio do público está tocando com você.

Angus Young, AC/DC

Citação

"Eu nunca serei um daqueles caras que tocam um solo maior do que deveria ser. Meus solos complementam a música. A música é o mais importante, não o solo."

Slash

Citação

"O que eu achava mais interessante em Chuck Berry era a facilidade com que ele conseguia deixar momentaneamente de tocar o ritmo para introduzir um solo, e em seguida mergulhar de novo na marcação rítmica. Antes, o guitarrista ficava muito preso à marcação do ritmo. Agora a diferença entre guitarra base e guitarra solo ficou diluída. Você não pode entrar numa loja e pedir uma 'guitarr solo'. Você é um guitarrista, toca uma guitarra, e pronto."

Keith Richards

Citação

"Aprender a tocar violão é uma combinação de aquisição de habilidade mental e motora. E para desenvolver a habilidade motora a repetição é essencial... Sempre que um músico tem dificuldade na execução de um trecho, ele tende a achar que lhe falta talento. Na realidade ele apenas não sabe onde seus dedos deveriam estar... Você deve memorizar a música antes de executá-la. E, ao tocá-la, faça-a tão lentamente que não haja possibilidade de cometer um erro."

Howard Roberts

Citação

"Eu tocava sempre que podia pegar numa guitarra elétrica. Estava tentando aprender rocks e blues elétricos – os últimos de Muddy Waters. E passava horas e horas no mesmo trecho, tocando outra vez, outra vez e outra vez."

Keith Richards

Citação

"Quando faço exercícios, geralmente coloco um disco bem quente na vitrola, aumento o volume e toco junto com ele. Isso me dá a sensação de estar tocando junto com a banda, mantém a adrenalina fluindo."

Albert Lee

Citação

"As partes que o guitarrista pode tocar são aquelas que nao podem ser ditas - por isso que a guitarra as diz... A peça que está sendo tocada determina muito mais aquilo que você toca do que seu próprio estilo - como nos velhos blues, em que o slide 'falava'... Para mim, não há muito sentido em se executar um solo só pelo solo em si: ele deve se moldar naturalmente no contexto."

Mark Knopfler

Citação

"Ouvir o maior número possível de solos de guitarra é o melhor método para alguém nos primeiros estágios. Mas os solos de saxofone também podem ser úteis. Eles são interessantes por consistirem apenas de notas isoladas, podendo, assim, ser repetidos na guitarra. Se você conseguir copiar um solo de saxofone estará tocando muito bem, pois o saxofonista comum toca bem melhor que um guitarrista comum."

Ritchie Blackmore

Citação

"Eu costumava praticar escalas, mas hoje penso fundamentalmente em posições. Faço pequenas corridas de uma posição para outra, basicamente em torno dos desenhos de acordes. Consigo passar facilmente de uma posiçao para outra, a coisa soa bem quente. Também me arriso. Às vezes tropeço e caio, mas na maioria delas tenho sorte."

Albert Lee

Citação

"Eu não tenho nenhum desejo particular de tocar um solo de dez minutos. Para mim, eles nunca foram válidos, nunca. Eu os considerei sempre uma maneira de acumular uma tensão no público... Um solo deve criar alguma coisa e não agir como simples cosmético. Ele deve possuir algum objetivo, levar a melodia a algum lugar. Não estou dizendo que consigo, mas ao menos tento levar a melodia a algum lugar."

Jeff Beck

Citação

"O único planejamento que faço é aproximadamente um minuto antes de tocar. Tento pensar em algo que surta efeito, mas nunca me preparo para elaborar um solo nota por nota."

Eric Clapton

Textos de Teoria Musical

Aí, gente! Voltei – vim dar um Feliz Natal, um ótimo 2000 e deixar embaixo das suas árvores de Natal um presentaço: Um esquema técnico de obtenção de força, precisão e velocidade, para ser debulhado durante as Festas, férias – e durante A VIDA TODA – afinal, praticar é primordial para um instrumentista. Embora o exercício consista em movimentos de ME/MD muito comuns, a maneira como foi organizada a coisa toda é que é o verdadeiro barato – parabéns ao autor, Tim Fullerton (info ao fim do artigo). Adaptei algumas coisas para simplificar, OK?
MAS ATENÇÃO: só comece a praticar esta técnica DEPOIS de estar totalmente certo deter dominado os conceitos vistos nos artigos de Postura e Posicionamento – de outra forma, além de estar praticando algo errado você poderá estar prejudicando SUA SAÚDE – tendinites, dores musculares e má postura de coluna podem ser os seus resultados...
Tudo Certo? Vamos por a mão na massa – ou na guita...


ARTIGO 11
TÉCNICA INFERNAL (by Tim Fullerton)

Verifique os aspectos básicos de Postura e Posicionamento:

A) Posição do instrumento;
B) 1. Posicionamento do polegar esquerdo e abrangência dos dedos da Mão Esquerda (lembre-se: polegar abaixo da linha da corda G);
2. Pressão do polegar Mão Esquerda contra o braço (NUNCA! leveza!);
C) Pulso esquerdo (reto como régua, palma longe da parte inferior do braço...);
D) Palma da Mão Esquerda paralela à parte inferior do braço;
E) Posicionamento das pontas dos dedos Mão Esquerda (próximos à escala);
F) Posicionamento geral da Mão Direita;
G) Posição da palheta (ângulo correto – menor barulho possível)
H) NUNCA APOIE a Mão Direita;
I) Procure utilizar o menor esforço possível para palhetar (encurte a distância);
J) Relaxamento – NUNCA fique tenso.

i.) Você deverá estar com uma planilha “Technique from Hell” em suas mãos e um METRÔNOMO (sem este aparelho, você poderá simplesmente treinar os movimentos, mas não conseguirá constatar com certeza como está sua evolução);
ii.) Os números à esquerda correspondem à ordem dos dedos da Mão Esquerda;

iii.) Os títulos de cada coluna correspondem ao tipo de “movimento” dos dedos da Mão Esquerda (existe um desenho desses padrões logo abaixo);

iv.) A técnica consiste no seguinte: faça cada seqüência tipo “1234” de exercício 5 vezes seguidas, acompanhado de um metrônomo. Ao conseguir fazê-lo, SEM NENHUM ERRO, verifique qual o andamento. Diminua este número em 10% e anote na planilha. Faça isso para todas as combinações – recomendo que utilize uma coluna de cada vez – iniciando pela S (SINGLE STRING), e avançando para a direita, onde os movimentos são mais complicados.

v.) Faça as anotações à lápis, e mantenha sempre uma nova cópia da planilha em papel ou salva em disquete para as futuras anotações.

vi.) Porque diminuir 10%? Ora, o número que você obteve é a sua velocidade máxima para aquele tipo de digitação. O número anotado é o seu OBJETIVO – quando você conseguir repetir aquela mesma digitação 5 VEZES SEGUIDAS, SEM NENHUM ERRO, NAQUELA VELOCIDADE ANOTADA, parabéns! Diminua 10%, anote o novo score e comece a treinar mais para bater seu prórpio recorde!

vii.) Estes são os 5 padrões (um em cada coluna – confira em sua planilha) – eles vão aumentando a dificuldade, da esquerda para a direita. Logo, inicie pelo S e vá movendo para a direita à medida que sua técnica for aprimorando.
viii.) Tim Fullerton descreve em seu artigo que o guitarrista deve utilizar várias planilhas, uma para cada estilo de palhetada. Seriam elas: (onde b = para baixo; c = para cima)

b, c, b, c
c, b, c, b
b, b, b, b
c, c, c, c

Embora eu entenda que o correto é isto mesmo, a coisa ficaria muito além do “Inferno”, como ele nomeia a técnica... Adotei uma simplificação que agrada a muitos que utilizam a planilha: o alternate picking (b, c, b, c) e o sweep (b, b, b, b) – que são as mais utilizadas. De vez em quando, faça um pouco das outras possibilidades, a título de treinamento, mas sem tanta responsabilidade – afinal, não pecamos tanto assim...

ix.) Procure praticar em locais distintos da escala. Não fique somente nas mesmas cordas, nas mesmas casas... embora seja muito mais fácil digitar da 12.ª casa pra cima e nas cordas de baixo, é obrigatório praticar em todos os lugares – ou você vai fazer um buraco na escala...

x.) Você deve praticar 6 dias por semana, passando por todas as digitações numéricas (tipo 1234) em pelo menos uma coluna de padrões (S, A, D, P, V). Tente dedicar pelo menos 1 hora diária a esta metodologia.

xi.) Só isso... em pouco tempo você vai notar (e ter provas documentais!!!) da sua evolução em velocidade, força nos dedos e técnica. MAS LEMBRE-SE: NÃO VALE ROUBAR!!!!! Se você não conseguir atingir a marca de 5 exercícios completos sem errar, TENTE NOVAMENTE – anotar um tempo falso, que você não conseguiu atingir, não vai lhe adiantar em nada. Afinal, não é uma corrida, é uma metodologia de auto-superação.

xii.) MUITA ATENÇÃO: como você vai desenvolver velocidade e força (o que não quer dizer que você vá apertar as cordas feito um louco...) em pouco tempo, sempre que for praticar AQUEÇA. É Isso mesmo – como se fosse entrar em campo! O melhor jeito é fazer uma série de 5 minutos de cromáticos BEM DEVAGAR – pelo menos até inventarem outra técnica. Depois, pode debulhar a bichinha.
OBSERVAÇÃO: ligue-se na seqüência da frase. Fazer 5 vezes uma digitação 1234 significa digitar: 12341234123412341234 – e não 1234......1234........1234...... Deu pra entender?


11.1) O Metrônomo

Para quem não sabe, o metrônomo, como o nome diz, é um aparelho destinado a marcar o tempo musical. Existem vários tipos e modelos – não tem um? O melhor para este tipo de exercício é o movido a pilha/bateria, com dial frontal. O tempo mantido é infalível, o dial tem incrementos de tempo standard e você pode mudar de velocidade instantaneamente – tudo isto é bem vindo nesta técnica.
Outros tipos são os pequenos digitais, os tipo plug-in mecânicos e os “vovôs” de pêndulo invertido.
Os pequenos digitais são ótimos para todos os propósitos – são mais baratos o mantém o tempo infalível. Talvez sejam um pouco impróprios para este tipo de exercício pois para incrementar a velocidade você tem que ficar segurando os pequenos botõezinhos até chegar ao valor desejado – e os incrementos não são standard, e sim, em unidades. Numa hora de estudo, com tantas digitações e um tempo pra cada uma, você vai perder 1/2 hora só com o metrônomo...
Os outros são – desculpem – uma droga.... Os mecânicos tipo plug-in variam a velocidade de acordo com a corrente elétrica do local, acusando maior velocidade do que o real quando houver quedas na corrente (você vai se sentir Joe Satch quando os vizinhos ligarem chuveiro, ar-condicionado e secadora de roupas...). E os velhinhos com pêndulo não marcam o tempo com exatidão.


11.2.) Incrementos “Standard” em Metrônomos


40 – 60: acréscimos de 2
40, 42, 44, 46, 48, 50, 52, 54, 56, 58, 60


60 – 72: acréscimos de 3
60, 63, 66, 69, 72


72 – 120: acréscimos de 4
72, 76, 80, 84, 88, 92, 96, 100, 104, 108, 112, 116, 120


120 – 144: acréscimos de 6
120, 126, 132, 138, 144


144 – 208: acréscimos de 8
144, 152, 160, 168, 176, 184, 192, 200, 208


Agora é só pegar sua planilha, pegar a guitarra e PRATICAR, PRATICAR, PRATICAR......... Com certeza, em nosso próximo artigo (só em Janeiro/2000...) você já vai estar “FERA”!



Baseado em:
Tim Fullerton – fullerto@cis.ohio-state.edu
Publicado no site “A Casa das Cifras” (http://www.casa.cifras.nom.br), em 20/12/1.999.